quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A encarroçadora Cermava e a importancia que ela teve na minha família e na vida dos cariocas

  


     Vi hoje no blog mineiro Ponto de Ônibus uma matéria escrita pelo jornalista busólogo da CBN Adamo Basani sobre a Cermava. Confesso que fiquei muito feliz, pois a mesma fez parte da vida da minha família, sobretudo da vida da minha mãe e de seus tios. Minha mãe passava todos os dias ao lado desta encarroçadora que ficava na Rua João Pinheiro no bairro da Piedade aqui no Rio de Janeiro e via os ônibus serem montados e encarroçados na rua, pois o espaço físico da fábrica era muito pequeno. Tios dela trabalharam nesta encarroçadora como operários.
       Um outro fato curioso é que esta encarroçadora ja teve uma filial em Realengo na Rua Jaime de Carvalho. Nesta unidade eram fabricados os bancos dos ônibus. Tal fato é comentados por moradores antigos desta rua, porém não confirmado oficialmente. Esta encarrodora funcionou no bairro da Piedade até inicio da década de 70 quando foi comprada pela Metrôpolitana, também extinta. Antes disso ela ja estava capemga, pois sofrera um incendio pouco tempo antes que a prejudicou. Após ser imcorporada pela Metropolitana, o imóvel da fábrica ficou abandonado por quase 30 anos. Agora, desde 2008, no seu lugar foi construido um condominio pondo fim ao pouco que restava desta heróica e histórica encarroçadora.
      No âmbito familiar duas coisas da nossa história que tinham endereço na mesma rua da Cermava lamentávelmente acabaram: a Igreja Congregacional da Piedade e a própria Cermava, sendo que a que mais doeu, uma vez que além de ter sido centenária foi a igreja, pois nela meus avós, meus tios, meus pais se casaram e consagraram todos nos, filhos e netos. Quando vi que esta igreja que frequentava quando criança na década de 80 com minha mãe, meus saudosos avô e o meu  pai tinha acabado, confesso que fique arrazado por dentro, pois toda uma história de familia foi por espaço. Hoje esta igreja é uma outra igreja evangélica que nada tem a ver com a igreja que fez parte da história da minha família. Na verdade, a única coisa que sobrou de tudo isso foi o clube River e só! Mais isso é uma outra história.
     Quanto ao jornalista Adamo Basani, ele assim como o Milton Jung são busólogos e aparentemente parecem ser contra a padronização das pinturas dos ônibus que existe na cidade onde moram. Adamo Basani escreveu um texto num site de busologia paulista mostrando os estragos e transtornos promovidos no final da década de 70 pelo falecido dono do Itau quando este foi prefeito de São Paulo quando este começou a implantar parcialmente a padronização das pinturas naquela cidade. Leia este brilhante texto deste também brilhante jornalista sobre esta heróica encarroçadora. E só e feliz ano novo!

Cermava: a cara do Rio, a cara do Brasil, a cara do Mundo


Cermava Urbano, Mercedes Benz LP 321, de 1968, da Expresso Oriental, do Rio de Janeiro
Encarroçadora fluminense foi uma das principais do País. Com modelos de linhas mais retas e com o Papa Filas deu importantes passos no desenvolvimento da indústria de ônibus brasileira ADAMO BAZANI – CBN
Reúna portugueses e brasileiros no Rio de Janeiro. Depois chame os italianos. Qual o resultado? Uma bacalhoada com macarronada ao som de muito samba? Pode até ser. Mas no nosso caso da história dos transportes o resultado foi a Companhia Autocarrocerias Cermava, empresa fundada no Rio de Janeiro, e sem dúvida, com grande importância na história da indústria nacional, a partir dos anos de 1940.
O encontro de tantas nacionalidades na mesma empresa é revelado pelos relatos do Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 1948.
De acordo com a publicação oficial, eram sócios diretores nesta época Antônio Eiza Cerqueira (brasileiro), Manuel Conceição (português), Álvaro Martins Fonseca (brasileiro), Mário Humberto Esteves (português), Álvaro Batista Esteves (brasileiro), Deusdedit Moura Ribeiro (brasileiro), Orlando Martins Fonseca (brasileiro), Vinícius Martins Fonseca (brasileiro) e João Saraiva Ramos (português).
A empresa começou tímida, fabricando poucos ônibus por mês. Mas os produtos já nos anos de 1940 eram de qualidade e tinham um design diferente e inovador para época.
Enquanto os veículos de transporte coletivos eram com “cara de caminhão”, as jardineiras e os ônibus na configuração de carroceria envolvente, com frente reta abrangendo o motor no salão de passageiros, tinham linhas muito arredondadas, a Cermava já se propunha a harmonizar desenhos retos e mais arredondados, dando uma estética de equilíbrio.
A bacalhoada e o samba já estavam juntos. Mas quando chega a macarronada?
No final dos anos de 1940 também.
De acordo com o historiador Waldemar Correa Stiel, auto do livro “A História do Ônibus”, quando a Caio, fundada por José Massa, avô do corredor de Fórmula 1, Felipe Massa, adquiriu um terreno para a nova sede da empresa em São Paulo, na Rua Guaiaúna, na Penha, aproveitou o sucesso da encarroçadora e quis ampliar seus negócios para o Rio de Janeiro, e comprou a Cermava.
Era o indício de que a família italiana Massa tinha o objetivo de expandir seus negócios para todo o País com a Caio. E foi o que aconteceu.
A marca da Cermava continuava, mas com outros diretores. Para se ter uma idéia, no Diário Oficial da União de 15 de fevereiro de 1956 eram sócios da Cermava: Octacílio Piedade Gonçalves, que auxiliou na fundação da Caio em 19 de dezembro de 1945, José Massa, fundador da empresa, José Roberto Ferreira Braga, Miguel Lagodano, Luis Massa e Ruggero Cardarelli, que também estava na formação da Caio.
A Cermava presenciou e auxiliou as etapas de crescimento da população e das necessidades por ônibus de maior capacidade em linhas cuja demanda era demais para os pequenos ônibus feitos pela indústria nacional.
Assim, uma das soluções temporárias para este crescimento foi chamado “Papa-Filas”. Tratava-se de uma enorme carroceria para passageiros, na verdade uma “carreta para gente” que era tracionada por um cabalo de caminhão. A capacidade de transporte era bastante grande, correspondia a quase três ônibus comuns. Grandes também eram o desconforto e as dificuldades de manobras pelo tamanho do veículo. O “Papa Filas” da Cermava, considerado primeiro veículo deste tipo do Rio de Janeiro, começou a circular pelas ruas da cidade em 1957.
Em 02 de junho de 1959, quando foi criada a Fabus, entidade que representa as encarroçadoras, a Cermava era uma das associadas, tendo como repesentante, Luis Massa.
Muitos ônibus da Caio, a mesma proprietária, utilizavam linhas semelhantes aos produtos da Cermava.
O modelo urbano da Cermava, para muitos, lembra o Jaraguá da Caio.
Em 8 de junho de 1970 foi realizadaa última atividade comercial desta empresa que marcou história.
Adamo Bazani"

 Fonte: http://blogpontodeonibus.wordpress.com/2010/12/30/cermava-a-cara-do-rio-a-cara-do-brasil-a-cara-do-mundo/

7 comentários:

A. F. disse...

Também me lembro muito da Cermava, que marcou minha infância. Um dos bons exemplos de seus belos ônibus é o modelo 1972 no formato interurbano, que a Auto Viação Jurema teve em sua frota. Dava muito gosto eu ver esse ônibus quando passava pela Praça Mauá com minha família.

A foto da Viação Oriental também é antológica, dos tempos em que a empresa carioca era excelente.

A Cermava era uma das mais fortes dos anos 60/70, junto com a Metropolitana, a Carbrasa e as hoje existentes CAIO (hoje CAIO Induscar) e Nicola (Marcopolo).

MPierre disse...

Bem, o que eu sei que os lotes de terrenos onde está a Rua Jaime de Carvalho é de 1977, logo, supôs que tudo era mato. Estou achando que não, mas, queria ver a extensão da Rua Jaime de Carvalho que tenho dúvidas se era a mesma extensão atual. Por exemplo: aqui em frente de casa, tudo era mato onde só mudou de figura no final dos anos 90 tendo direito a ter padaria e uma Igreja Evangélica lá dentro.

Lembrar que a antiga administração da Caio comprou a Metropolitana em 1976 e, por isso e em tese, a Estrela Azul começou a comprar a Caio comparando com a Nossa Senhora da Penha e a antiga TAU quando encomendou Marcopolo-Viale pois sempre eram compradoras da Ciferal antes de ser vendida a Marcopolo.

Leonardo Ivo disse...

Marcelo,
Por isso que eu falei que era algo não confirmado, mas um boato contado por moradores antigos desta localidade. Se ele existiu, pelos relatos que me foram passado, de ter sido entre as ruas Claudino Barata e Leocadia, próximo a Jaime de Carvalho, uma vez que estas ruas são as mais antigas de Realengo e ja existiam ai antes da década de 60. Inclui-se ai também a Rua Miranda Varejão. E uma outra dica, no cas o desta fábrica da Cermava em Realengo, como foi dito no texto, ela era só de bancos, logo não precisava de muito espaço para produzir. Provavelmente nem placa indicando sua existencia no bairro devia ter tido parecendo-se como uma residencia ou mesmo um galpão de serralheiria como são muitos ai no bairro. Provavelmente a unidade fabril de assentos dela deveria ser assim sem identificação, algo camuflado. Feliz Ano Novo!

MPierre disse...

Pelo seu comentário, aproximadamente, essa fábrica da Cermava ficava perto da atual Escola Municipal Rondon que teve caso da tal Professora lésbica.

Leonardo Ivo disse...

Marcelo,
Era aproximadamente ali mesmo segundo tais realtos.ABS!

Leonardo Ivo disse...

Marcelo,
E tem um detalhe que não tem ha ver, mas como vc puxou o assunto. Meu irmão estudou neste colégio quando ele ficava num antigo imóvel do colegio Gissoni na Rua Tecobé. Hoje onde o Rondon o Gissoni eram agora é um clube. Talvez você lembre também do primeiro endereço do Gissoni que era num predio que ficou anos abandonado na Rua Ocaibi, próximo a praça Quarto Centenário. Ali também funcionou um colégio chamado Get que eu não sei se era a mesma coisa. Hoje este local é um monte de casas, pois o terreno foi loteado só não lembro se o antigo préfio foi demolido ou reaproveitado e reformado pelos novos moradores. Feliz ano novo!

mauro silva disse...

CERMAVA ônibus da minha infância e adolescência.em especial o carro 03 da linha 55 do bairro sag família aqui de bh. em 1970 ele chegou p\ a linha e eu com dez anos. saiu em 81. pegou o fim de minha infância a adolescência e um pouco da juventude. me levou a passeios, meu primeiro emprego para escola e outras tantas situações.tres fases de minha vida. fica na memoria.