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domingo, 28 de julho de 2013

"Obrigado Francisco". Foi o pastor Zé Bruno quem escreveu

Zé Bruno
Os canais e programas de TV ditos evangélicos chegaram ao fundo do poço. Ali se prega tudo. Menos o Evangelho. Os pastores que pregam nesses programas não representam os evangélicos de verdade. Muito menos representam pastores no sentido pleno, como Zé Bruno. Foi o que o pastor da Casa da Rocha e vocalista e letrista do Resgate deixou transparecer sábado passado, enquanto comparava um programa de TV dito evangélico com as transmissões da Jornada Mundial da Juventude:

27 jul 13

Hoje na TV: Enquanto num canal um pastor vendia um lenço do milagre, em outro, o Papa pregava sobre a cruz de Cristo. Obrigado Francisco...

27 jul 13

Tem alguém evangelizando na TV brasileira.

Não sei se Zé Bruno queria reconhecer como verdadeiramente cristã a pregação do Papa Francisco ou se queria apenas zoar a pregação falsa dos pastores que viu na TV. De qualquer forma, Zé Bruno fez um diagnóstico contundente sobre a baixeza da pregação evangélica oferecida hoje em dia na TV brasileira.

O próprio Zé Bruno já pregou bastante numa emissora de TV paulistana e também no rádio. Eu mesmo ouvi vários cultos dele através de uma FM carioca. Mas o pastor sempre preferiu pregar um Evangelho autêntico, mesmo ainda estando numa dessas igrejolas pós-pentecostais. Depois que ele criou uma denominação com forte influência batista (A Casa da Rocha), nunca mais uma emissora transmitiu seus cultos e pregações. Sua banda aparece eventualmente em alguma emissora, inclusive em programas de auditório. Exceto naquelas emissoras vinculadas a aquela igreja pós-pentecostal onde Zé Bruno chegou a ser bispo.

Zé Bruno ainda levará muito desaforo dos fariseus, por conta de algumas coisas que conta sobre o meio evangélico. Tomara que ele persevere nessa postura.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Direita inteligente e direita emburrecedora


Meu amigo Alexandre Figueiredo aponta em seus blogues O Kylocyclo e Mingau de Aço as origens arenistas dos concessionários da rádio UOL 89 FM, e que isso estaria na raiz dos motivos que fazem a programação da rádio ser tão pasteurizada. Praticamente uma Jovem Pan de guitarras.

Devo fazer uns acréscimos que talvez o amigo jornalista não tenha feito. Levando em consideração as origens ideológicas dos Camargo (os concessionários da UOL 89 FM) e a proposta emburrecedora da rádio roque deles (querem nivelar os bons nomes da história do rock com as bandas chinfrins que apresentam, algumas delas sequer sendo bandas de rock de fato), devemos dizer que a UOL 89 FM representa a banda podre da direita: a direita emburrecedora. Aquela que procura reservar apenas para si e as elites dirigentes tudo que seja culto e inteligente, deixando para a massa da população apenas o emburrecimento generalizado da cultura de cabresto. Inclusive as bandas de roque que se aliam a essa cultura. Não representa a direita inteligente, que procura convencer com argumentos inteligentes e não represa o que é culto e inteligente para si mesma. Neil Young e Joey Ramone representam essa ala inteligente da direita. E não será o Alexandre nem ninguém que me convencerá que esses caras não mostram inteligência no que falam e fazem.

domingo, 14 de abril de 2013

Jabá no Domingão? Eu quero é novidade!



O colunista Leo Dias informou nesta semana que passou que Fausto Silva descobriu em fevereiro de 2011 um esquema de jabá em seu programa Domingão do Faustão, na Rede Globo, e que Fausto teria demitido todos os produtores envolvidos no esquema.

Eu quero é novidade! Até o reino mineral sabe que os estilos de música popularesca só tem a visibilidade que tem (desde bem antes de haver Faustão ou Rede Globo) à custa de muito jabá, a quantia que responsáveis por programações de rádio e de televisão cobram de artistas e produtores para reservarem espaço para artistas na programação. Aliás, o jabá é anterior até mesmo à existência do rádio e da televisão. Nos teatros do século XIX, era comum os produtores e artistas jabazeiros colocarem plateias pagas nos espetáculos teatrais e musicais para aplaudirem os artistas, pois os aplausos eram a medida de popularidade dos artistas da época. Hoje em dia o jabá permanece firme e forte na televisão. Fausto Silva finge uma ingenuidade há muito perdida, ao se comportar como se não houvesse jabá em seu próprio programa. Desde a estreia de seu programa dominical em 1989 ele privilegia a música popularesca. Antes do Domingão do Faustão, a grande plataforma jabazeira da Rede Globo era o Cassino do Chacrinha, onde os produtores reservavam espaço para os artistas à custa de eles se apresentarem sem cachê nos clubes do subúrbio carioca em eventos de playback que eram uma espécie de 'Cassino do Chacrinha' itinerante. Esse esquema de jabá foi denunciado pela banda Capital Inicial, que na época ainda não flertava com os artistas da música popularesca, mesmo se apresentando nos mesmos programas de TV.

Embora ainda seja forte na TV, o jabá musical diminuiu drasticamente no rádio, que hoje está entregue ao jabá político-ideológico, esportivo e religioso. O jabá se deslocou para a Internet. Ou alguém ainda é ingênuo o suficiente para acreditar que as listas de músicas mais baixadas, clipes mais visualizados e itens mais curtidos são determinadas só por popularidade?

sábado, 20 de outubro de 2012

Bradesco Esportes leva a sério demais esse negócio de "AM no FM"

É a impressão que temos ao sintonizar a nova rádio bancária esportiva que veio de Petrópolis para o Rio de Janeiro, trazida pelo Grupo Bandeirantes e bancada pelo Bradesco.

A rádio Bradesco Esportes FM 91,1 leva a sério demais essa de fazer "AM no FM", não apenas pela grade de programação, com (boa) música apenas de madrugada, mas também pelo péssimo som. Não me refiro apenas à sintonia, porque só telefones celulares com FM sintonizam bem essa rádio, com dificuldades quase intransponíveis para outros receptores. Me refiro também ao som que é levado ao ar. Abafado e com agudo fraco. Parece som de fita cassete velha.

As outras "AMs do FM" tentam disfarçar a coisa, colocando som de FM, até mesmo usando e abusando de vinhetas espaciais estilo Jovem Pan. E mesmo assim essas outras rádios tem o mesmo som de fita cassete velha durante as jornadas esportivas. Já a Bradesco Esportes tem som de fita velha 24 horas por dia.

sábado, 1 de setembro de 2012

Plebe Rude - Circo Voador - 24 de agosto de 2012

Costumam chamar agosto de o mês do desgosto, mas também pode ser chamado de um mês em que acontecem apresentações musicais de bom gosto. No dia 24 de agosto houve a apresentação da Plebe Rude no Circo Voador, local de shows memoráveis da banda, especialmente nos anos de 1984 e 1986, shows esses lembrados pelo vocalista e guitarrista Philippe neste show da semana passada. Esta apresentação foi escorada nas músicas gravadas no CD/DVD Rachando Concreto, gravado ao vivo em Brasília, e também na totalidade do disco O concreto já rachou, o maior clássico da banda.

O show da semana passada foi antológico. A banda continua afiadíssima. Philippe Seabra e Clemente nos vocais e guitarras, Fred Ribeiro no baixo e um xará meu, Marcelo, como o novo baterista. Fred está provisoriamente no lugar de André X. Philippe disse que André X passará uns quatro meses fora do Brasil fazendo cursos, mas que deixou gravados os baixos do novo CD que a banda está preparando.

Mas em se tratando de Plebe Rude, não há roteiro certinho. A banda nunca foi certinha. Pois é uma das precursoras do punk rock de Brasília e do Brasil. A banda fez uma apresentação que me pareceu até maior que a duração do show de Brasília gravado em DVD em 2009. Não me arrisco a escrever aqui o set list do show, mesmo porque eu estava entusiasmado demais pra ficar anotando ou decorando, nem mesmo para contar as músicas. E eu não estava gravando o show. Já me esforçava pra caramba pra ver a banda, cantar e tirar fotos no meio da multidão que lotava o Circo... Do que eu lembro agora, posso dizer que a banda aproveitou o tempo pra resgatar músicas de todos os sete discos da banda. Inclusive a música Mentiras por enquanto, que sempre foi a que mais gostei e que, segundo Philippe, eles só tocaram no Rio (pelo menos na turnê do DVD) a pedido dos amigos da banda no Rio. Três deles estavam na frente do palco e enfartariam ao ouvir a música, segundo Philippe. A banda também enxertou músicas próprias e de outras bandas em várias das músicas do set list. Como Nunca fomos tão brasileiros, Pátria Amada (dos Inocentes, a outra banda do guitarrista Clemente), Geração Coca-Cola (enxertada não lembro em qual música), Selvagem (música dos Paralamas do Sucesso enxertada em Proteção) e até mesmo Aumenta que isso aí é rock'n'roll (enxertada em Até quando esperar pra homenagear o saudoso Celso Blues Boy). A banda também incluiu na íntegra (não enxertada em outras) a clássica Pânico em SP, outra dos Inocentes. Além de Celso Blues Boy, outro finado músico homenageado foi Redson, do Cólera, através da música Medo, incluída na íntegra, mesmo porque já está presente no repertório da Plebe há muitos anos.

A apresentação da música Minha Renda foi antológica. Além de samplearem o Chacrinha apresentando a própria Plebe em seu Cassino do Chacrinha, eles interromperam a música no meio para parodiar com corrosivo sarcasmo vários clichês da música pop descartável e da Música de Cabresto Brasileira, dos iô iô iôs, coros e gestos de mãos de vários gêneros até a pobreza da letra de um tecnobrega que a banda ameaçou tocar, mas ficou só no começo. Tudo isso só para ilustrar o discurso de Philippe contra os esquemões da música descartável de fácil rentabilidade e a favor de um caminho musical mais difícil, mas que é o caminho correto. Philippe também disse que a Plebe nunca mais tocará em rádio. Se o rádio continuar assim, é bom mesmo a Plebe ficar fora do dial.

Philippe também disse que a vantagem de morar em Brasília (onde os integrantes da banda moram, exceto Clemente, de São Paulo) é que Brasília não tem prefeito nem vereador, e por isso não está sendo bombardeada por essa palhaçada da campanha eleitoral que, como bem observou Philippe, está massacrando a nós, cariocas. Disse isso para introduzir a música Vote em branco, que ele lembrou que foi responsável pela prisão da banda toda em 1984, quando eles a tocaram em Patos de Minas, em seu primeiro show fora de Brasília e em plena campanha eleitoral naquele ano. Philippe reforçou toda a mensagem explícita da música, o que de sobremaneira desagradou a militância da candidatura do prefeitável Marcelo Freixo, militância que tinha alguns representantes na plateia. Mesmo assim, Philippe deu votos de boa sorte ao amigo Marcelo Yuka, ex-Rappa e atual candidato a vice-prefeito de Freixo.

É muito Marcelo pra um dia só. Marcelo na bateria, Marcelo Yuka sendo citado (e sendo ele vice de outro Marcelo) e eu na platéia curtindo tudo.

A banda anunciou estar feliz em participar de vários projetos. Além do novo CD/DVD, citou a participação na trilha sonora do filme Federal e a participação no documentário Rock Brasília. Também anunciou novos projetos feitos pela banda ou em que a banda é citada: o filme Somos tão jovens (em que a banda é representada por atores) e o futuro disco de inéditas, que a banda ainda não disse se será lançado apenas no iTunes ou se terá também versão em CD.

Destaco aqui que nunca vi um show com tantas dezenas de pessoas subindo ao palco para cumprimentar os músicos e pular lá de cima em cima da plateia, que fez várias rodas de pogo. Muitas dessas pessoas eram mulheres, e algumas beijavam os integrantes. Clemente até brincou, dizendo que antes a banda apanhava da polícia e hoje é beijada pelas mulheres, e que essa é uma das vantagens de ter ficado velho.

Philippe também anunciou que seu filho nasceu há alguns dias. O garoto ganhou de Clemente o codinome "Seabrinha".

Por fim, a banda disse estar muito feliz em encontrar ainda tantos plebeus (a plateia) no Rio de Janeiro. Plateia que, segundo Philippe, prefere o rock'n'roll à "essa MPB chata dessas novas casas noturnas da Lapa" (palavras dele).

A Plebe Rude pode voltar quantas vezes quiser ao Rio de Janeiro, que sempre encontrará uma platéia grande e entusiasmada. A plebe carioca agradece. Como bem disse Philippe, o rock'n'roll vive, no Rio.

Possíveis implicações da futura repetidora da TV Aparecida nas rádios Senado e Kiss FM

No último sábado, houve a peregrinação oficial da Arquidiocese do Rio de Janeiro na basílica de Aparecida do Norte. Antes do início da missa transmitida pela TV Aparecida, um padre redentorista do santuário anunciou que a emissora terá uma repetidora no Rio de Janeiro em breve, "se Deus quiser".

O padre não anunciou se a TV Aparecida terá uma repetidora própria no Rio de Janeiro ou se arrendará uma emissora já existente na cidade. Se a TV Aparecida inaugurar uma repetidora própria no Morro do Sumaré, estará confirmada a perseguição que alguns órgãos públicos federais estão fazendo às rádios Senado e Kiss FM. As duas rádios e a emissora de TV precisam de licenciamento dos órgãos públicos responsáveis pela radiodifusão e pelo meio ambiente, já que o parque de transmissão do Morro do Sumaré fica no Parque Nacional da Tijuca. Nenhuma das duas rádios teve atendidos seus pedidos de licenciamento ambiental para inauguração de seus equipamentos no Sumaré, apesar de ambas já terem outorgas e autorização para emitirem seus sinais a partir daquele morro.

E ainda falam que o Estado brasileiro é laico.

domingo, 8 de julho de 2012

'Esta emissora está sob censura eleitoral'

Na última sexta-feira, começou a campanha eleitoral. Isso oficialmente, porque os candidatos já se apresentam há meses. Junto com a campanha oficial, começou também o que chamo de censura eleitoral. A legislação eleitoral feita por esses mesmos políticos dos partidos políticos com representação no Congresso Nacional prevê uma legislação eleitoral anacrônica para a cobertura das eleições no rádio e a TV, distinta da legislação para outras mídias. No rádio e na TV, não é permitido (como é permitido nas outras mídias) fazer uma análise dos prós e dos contras de cada candidatura, não é permitido emitir conceitos sobre os candidatos, sobre seus partidos ou sobre suas coligações. Só é permitido veicular elogios às candidaturas se forem feitas pelos próprios em entrevistas, ou críticas a candidaturas se forem feitas por adversários, também em entrevistas. Enfim, só os candidatos não são censurados.

Emissoras de rádio e de TV chegam a cortar a participação ao vivo dos ouvintes e telespectadores nesta época. Vai que um ouvinte ou telespectador manda a Censura às favas e resolve criticar o prefeito paspalhão, os frouxos a serviço dos barões do fânqui, os filhotes de ex-prefeitos, os filhotes de ex-desgovernadores, os víuvos da Era FHC ou a ultraesquerda boa de discurso, boa de conversa (fiada), mas ruim de Governo (isso se não for ruim de voto). Aí os dotô otoridades do TRE não querem nem saber: multam a emissora sem dó nem piedade. Alguns mandam tirar a emissora do ar.

Se os gestores das emissoras de rádio e de TV tivessem um pouco mais de ousadia, todos eles fariam vinhetas para serem veiculadas no noticiário exatamente durante a campanha eleitoral, até o fim da votação em 1º e no 2º turno. Uma vinheta em que um locutor diria laconicamente: "Esta emissora está sob censura eleitoral".