Muita gente só culpa os politicos pelos problemas dos pais, mas eles não são os únicos culpados. Soma-se a isso a própria população que é tão ou mais corrúpta que estes e principalmente os empresários. Uma vez que é sabido que a qualquer brasileiro, com rarissímas excessões
faria as mesmas coisas que eles fazem de forma igual ou pior que os
atuais politicos.Este escrito pelo blogueiro Marcelo Pereira descreve bem esta situação e que complemento aqui com estas informações. Leiam.
"Una-se aos fortes que será um deles"

Uma
das coisas que eu sempre estranhei no Brasil é o fato de que ninguém
reclama dos grandes empresários. Pelo jeito se esquecem de que
tradicionalmente, os presidentes da república nunca são os que mais
mandam neste país, já que todas as decisões deles nunca passam por cima
dos interesses de grandes capitalistas, que aliás, falam de igual para
igual ou até grosso com presidentes.
Essa noção errada de que o
presidente é que decide tudo faz com que ele se torne o bode expiatório
de todos os erros ocorridos em nosso cotidiano, o que é bom para esses
grandes empresários, pois esses, os verdadeiros responsáveis, se livram
da culpa e consequentemente tem o ódio que deveria ser direcionado a
eles desviados aos políticos do poder executivo.
Esse ódio a
presidentes e o não assumido, mas assiduamente adotado respeito pelos
grandes empresários, tem favorecido o neoconservadorismo, surgido na
forma de um novo direitismo, que trata os poderosos capitalistas como
"meros trabalhadores como nós", "gente como a gente", num explícito
desconhecimento dos bastidores do poder em nosso país.
Políticos são empresários, empresários também são políticos
O
respeito que os poderosos capitalistas recebem da população brasileira
em contraste com o ódio a políticos tem dois motivos: primeiro, enquanto
os políticos usam o dinheiro pago pela população em impostos para seus
privilégios pessoais, os empresários usam o dinheiro pago - também pela
população - pela venda de produtos. O povo paga de qualquer maneira, mas
como houve uma "troca", os abusos dos empresários não são reprováveis.
O
outro motivo é a possibilidade de algum cidadão arrumar um emprego dado
por algum poderoso magnata. Aliás, essa possibilidade tem feito com que
muita gente tenha mudado de ideia e se tornado direitista, na esperança
de que, com a afinidade ideológica, facilite a contratação para algum
cargo.
"Una-se aos fortes que será um deles", não é o que dizem?
Na
verdade, o ódio a políticos e o respeito a grandes empresários soa
contraditório. Eles se parecem muito e a sua semelhança vai muito além
do fato de irem "trabalhar" (prefiro botar aspas neste verbo) de terno e
gravata.
Os políticos que tem mais poder e são mais conhecidos
por causa disso, são todos donos de algum meio de produção. São também
empresários. E é dessa forma que eles mantem o seu poder. Os políticos
que não são donos de nada se enfraquecem, perdem poder e somem a médio
prazo.
Além disso, eu considero a atividade dos grandes
empresários uma espécie de "política privada", pois eles são também
políticos, agem como políticos, só que com o bem privado, do contrário
que aqueles que consideramos como "políticos", que cuidam dos bens
públicos.
Falta de informação favorece direitismo
E
tradicional que empresários de grande porte mandem no executivo dos
locais onde estão situados. Com o poderio financeiro que possuem, são
capazes de trocar favores com políticos do executivo em troca de
aprovações ou até de "desobediências limpas" às leis.
É infantil
achar que o presidente decida tudo, até porque a nossa Constituição
garante o caráter capitalista de nosso sistema político. Os empresários
tem também vontades como todo mundo, mas tem em seu favor o poder
financeiro, pois podem comprar tudo e pagar todos para obter em troca
favorecimentos que mantenham a sua imensa renda e seu poder político de
decisão sobre as leis.
Mas grande parte da população desconhece
esse fato, embora os noticiários já deixem claro que não existe
hierarquia quando o presidente se reúne com grandes empresários (ou se
existe, só se os empresários estiverem acima). Para grande parte da
população, os grandes empresários são "trabalhadores" como qualquer um e
seu ganho vem do "suor" e de "muito sofrimento". Sinceramente não vejo
sofrimento em distribuir ordens sentado numa confortável poltrona de uma
bela sala com ar condicionado.
Heróis de si mesmos
Muitos
grandes empresários, na tentativa de angariar simpatia da população
(que poderia muito bem servir de "exército" de defesa quando
necessário), lançam muitos livros dando dicas de sucesso e escrevendo
biografias pomposas, muitas vezes com algumas mentiras.
Esses
livros acabam criando uma imagem de "heróis de si mesmos", de alguém que
supostamente sofre para garantir a sua sobrevivência , mas vai além. A
população nem se importa pelo fato dos grandes empresários ganharem uma
renda que deveria estar na mão do restante da população. A comoção com
as supostas lições dos donos do poder faz com que população - certamente
fazendo o papel de otária - ache justo que um PIB de algum país inteiro
possa estar nas mãos de uma só pessoa.
E isso favorecerá um novo
direitismo, que perpetuará o poder desses seres gananciosos que, com
seu poder tem feito muitos estragos em nosso sistema, incluindo o fato
de que a satisfação de seus supérfluos impede a aquisição do necessário
pela população carente, que ultimamente tem sido enganada com as
migalhas doces que caem em suas mãos, pensando que melhorarão de vida
colocando consumismo no lugar das necessidades reais, algo friamente
defendido pelos neoconservadores que se esforçam para construir uma nova
direita que fará de tudo para que a humanidade nunca se evolua, se
conformando com migalhas e paliativos.
Pois é esse atraso em
nossa sociedade, com a manutenção de tradições duvidosas que tem
garantido imensurável poder a esses "reis" que com esse privilégio,
possuem as condições favoráveis para mandarem inclusive em presidentes,
que agem feito gatinhos mansos perto dos poderosos donos da iniciativa
privada.
Desse modo, nenhum país se desenvolve. Somente o poder e o conjunto de bens dos grandes empresários.
Pizzaria do Poder