domingo, 21 de fevereiro de 2010

Uma solução para os ramais de bitola métrica do estado do Rio de Janeiro

     A revista Veja, por mais suja e corrupta que possa ser, fez uma reportagem muito interessante e promissora. Trata-se dos vlts de Cariri, onde o governo local pediu ao DNIT e a Transnordestina logistica (ex-CFN) o direito de uso da linha e este foi concedido. Ao conseguir isto, eles colocaram uma linha de VLT a diesel fabricados pela empresa cearense Bom sinal. Tal empreitada está sendo copiada pelos governos de Alagoas, Pernambuco e Brasilia. Vale lembrar que a prefeitura de Macaé tem projeto parecido, porém a Vale, concessionária da linha Rio-Campos de bitola métrica, DNIT e a Agetransp ainda não deram autorização para a prefeitura operar e comprar os vlts. Isso será uma tremenda solução para os ramais de bitola métrica, principalmente de lugares onde estas linhas circulam como Niteroi, São Gonçalo, Aracaju, Duque de Caxias, Magé, Guapimirim, Brasilia e etc, pois estas linhas deste tipo de bitola, hoje desprezada podem perfeitamente abrigar este tipo de transporte. No caso das linhas da Central Logistica( ex-Flumintrens) seria uma excelente solução, principalmente para o rama de Niteroi que se encontra abandonado e até mesmo parao de Guapimirim. Em Aracaju esta solução é ainda mais facil de ser implantada, pois toda a linha que circula sobre o municipio e o passa na região metropolitana de Aracaju até São Cristóvão, incluindo as estações, estão em excelente estado de conservação, bastando apenas pequenas reformas e a compra dos vlts. De Brasilia, nem se fala, dá perfeitamente para fazer uma linha de integração entre a Rodoferroviaria integrando as cidades satélites e tendo como ponto de integração principal a estação Bernado Sayão. A propria Supervia poderia substituir sua locomotiva e seus velhos vagões cinquentenários por vlts e integra-los aos elétricos de Saracuruna não sendo necessário pagar uma nova passagem, cobrando-as no decorrer do trecho do Vila Inhomirim e chegando em Saracuruna era só embarcar no elétrico sem passar por qualquer tipo de roleta.
     Estes vlts que citei são fabricados pela Bom Sinal que fica no Ceará. Estes veiculos são automotrizes e a diesel, dispensando ai a instalação de rede aérea, catenarias e subestações, gerando uma imensa economia. bas apenas reformar as estações existente e as linhas e ele estará pronto para circular. Empresas do ramo de carroceiras de  onibus como a Marcopolo, Caio, Busscar e Neobus também poderiam entrar neste ramo, pois elas possuem ampla experiencia em carrocerias e interiores de onibus e poderiam utilizar esta experiancia na fabricação e adaptação de vagões ferroviarios como a Bom Sinal. A Bom Sinal era uma empresa que fabricava somente assentos de onibus, praças e escolas e entrou neste ramo sem ter experiencia e know-how para isso e deu certo, está recebendo encomendas de vlts do Brasil todo. Se esta empresa se aventurou neste ramo e deu certo, por que empresas com ampla experiencia no ramo de carrocerias e de montagen de interiores de coletivos não poderiam entrar? A Marcopolo possui a uma fabrica em Xerem, Duque de Caxias, que era a saudosa Ciferal. Aonde a Ciferal está instalada possuia um ramal de trem em bitóla métrica que ia de Belford Roxo a Xerem ao lado da fabrica. Tal ramal era para atender a também saudosa fabrica nacional de motores (FNM), que ocupou sua atual planta fabril até 1985. A linha foi retirada, porém, a maior parte de seu leito continua desocupada desde 1970 quando ela foi desativada, só ocupada  por casa num trecho perto da estação de trem de Belford Roxo. Por que não solicitar o DNIT o governo do estado a reconstrução da linha? È claro que teria que atualmente, até para evitar indenizações com a retirada das casas que ocuparam a linha no trecho perto da estação de Belford Roxo, desvia-la para o ramal de Saracuruna, pois este está mais próximo de Xerem, ou contornar o centro de Belford Roxo chegando perto da fábrica da Bayer próximo dali. A Busscar ha uns 15 anos atrás também fez um tese de um ônibus hibrido em termos de modal, onde o mesmo possuia um truque no meio do chassis e que quando chegava numa linha de trem este truque descia e as rodas subiam. Não se sabe porque, este protótipo não foi adiante. Resumindo, estas encarroçadoras de onibus possuem experiencia, vocação e talento para isso, por que não dariam certo no setor ferroviario? E com todos os atributos que possuem, não faltariam clientes e encomendas para este tipo de veiculo, uma vez que também estão instalada próximos aos centros de consumo e de seus clientes. Vai chover encomendas.
     Vale lembrar que este tipo de VLT mesmo sendo diesel é mais economico que onibus em termos de consumo e transporta muito mais que o ultimo e não enfrenta engarrafamentos. E mais barato que o metrô e o trem, pois são menores, de facil operação e  implantação, embora não seja uma solução definitiva em transporte de massa, por serem  menores que os trens e metrôs, mas é uma solução que resolve a médio prazo os problemas de transito e engarrafamentos nas grandes cidades e em cidades pequenas ele se torna uma solução definitiva para o problema. Até empresas de onibus poderiam opera-lo nos moldes do transporte aéreo, onde a linha, estações, pontos de vlts e sinalizações pertenceriam ao governo local, enquanto que os veiculos, operação e garagem continuariam com a iniciativa privada e na melhor das hipóteses, sem padronizar pinturas destes veiculos, mantendo ai a pintura das empresas como acontece com os onibus do Rio. Quando cito o transporte aéro, é por no caso deste, o espaço aéreo, a sinalização e os aeroportos pertencem ao governo, através da Infraéro que opera os aeroportos e do DECEA que cuida do espaço aéreo, enquanto que aviões, destinos e hangares e a operação destes ficam nas mãos da iniciativa privada, no caso as companías aéreas. este tipo de solução, eu ja publiquei aqui neste blog no ano passado e repito que é solução para o transporte ferroviario não só de passageiros como o de cargas seria este modelo, pois neste modelo a iniciativa privada só precisaria investir somente nos veiculos, garagens e em seus profissionais, deixando as linhas ferreas e as estações nas mãos do governo. Isso atrairia em peso os empresarios para setor ferroviario, pois só se preocupariam com os seu veiculos, clientes e profissionais e nada mais, não precisando mais cuidar da linha ferrea e de suas estações, reduzindo drasticamente os cstos de operação das rotas ferroviarias e aumentan consideravelmente a margen de lucro neste modal.
       Tal modelo de operação existente na Australia e na Inglaterra chama-se open-access, onde o funcionamento é exatamente como descrevi. Na Inglaterra tal modelo foi criado no processo de privatizações empreendido por Margareth Thatcher, onde ela preferiu privatizar o uso e os veiculos ao invés de tudo como foi feito aqui. Tla decisão foi extremamente acertada por parte do governo inglés e deveria ter sido copiado para cá, o que não foi feito. Tal privatização foi realizada pelo governo británico na década de 80, portanto dava para o governo daqui ter se inspirado no de lá e hoje trasnporte ferroviario estaria muito melhor do que hoje transportando não só minério como passageiros e outros tipo de cargas como também poderia ter se reexpandido novamente em tamanho e tráfego. Esta é a unica solução viavél para que o transporte ferroviario se expanda no Brasil e no mundo e com a entrada total da iniciativa privada, se tornando rentavel e atraente a empresários e usuarios. Pensem nisso! E só!
Site mostrando e descrevendo o VLT de Cariri: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?referrerid=39159&t=661196 Confiram!

2 comentários:

O Kylocyclo disse...

Leonardo, baseado no que você escreveu, eu montei um cartaz e coloquei no meu site Bus Diversidade.

Lá eu já reproduzi alguns textos seus, relacionados aos problemas dos ônibus brasileiros. Ali já tem esta foto.

Abraços e sucesso no seu site.
http://srv.fotopages.com/2/21481224/Jos-Roberto-Arruda.jpg

Victor disse...

Leonardo,

Boa postagem sobre o uso de vlt's.
sou Pesquisador ferroviário, e acompanho a indústria de logística como um todo. e gostaria de fazer algumas observações.
Embora eu concorde que o modelo adotado lá foi melhor do que o nosso vale lembrar que a privatização das ferrovias inglesas foi extremamente nociva a eles, tanto que se questiona se diversos trechos deveriam voltar a ser operados pelo governo, devido a queda de qualidade dos serviços prestados pelas empresas privadas.
Boa parte das companhias ferroviárias privadas britãnicas foram absorvidas por empresas estatais de outros países como a DB e a SNCF.
Mesmo a via permanente ficando com o governo, esta se deteriorou, pois as empresas privadas não viam vantagem, ou não conseguiam pagar as taxas de direito de passagem em linhas modernas e de alta capacidade. Então o governo ingl~es abixou as taxas e ficou sem recursos para executar a manutenção do sistema. Houve aumento vertiginoso no número de acidentes e queda da velocidade média dos trens.
quanto aos VLTS os mesmos começaram no seguinte cenário entre 1950 e 1990 a malha britãnica caiu quase pela metade (fenõmeno que ocorreu quase no mun do inteiro), sendo que neste período as estradas de ferro inglesas eram administradas pela estatal British Railways (BR).
A maioria dos trechos erradicados eram ramais de baixa densidade de tráfego, com traçado antigo, tal como , por exemplo, as nossas linhas da leopoldina.
A idéia de aproveitar esses ramais para transporte com veículos leves, que requerem menor infra estrutura, surgiu nesse cenário, sendo desenvolvida a idéia pela estatal BR nos anos 70, buscou-se as soluções na indústria e implementou-se diversos sistemas, quando houve a privatização das ferrovias inglesas esses sistemas foram uma das prmeiras coisas a serem entregues, os que apresentaram lucro foram mantidos pela iniciativa privada e ampliados (com recursos públicos lógico), os demais desativados.

No Rio de janeiro temos projetos de vlts desde os anos 80, no entanto por mais baratos que sejam os a implantação dos VLTS requer um custo muito maior do que a manutenção dos trens convencionais que ainda correm no trecho, mesmo em condições precárias.
No Brasil não há interesse real de se utilizar vlts, já que os mesmos entram em concorrência direta com os cartéis de ônibus.