terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Sobre o ramal Niteroi - Visconde de Itaborai

      No mes passado, mais precisamente no dia 20, eu estive em Itaborai para não só conhecer a cidade como também conhecer a estação de Visconte de Itaborai. Sempre quis ir lá, mas nunca tinha tempo. Neste dia consegui ter tempo e fui e confesso que fiquei triste e feliz ao mesmo tempo. Triste em ver aquele ramal desativado e tudo parado e inativo alí. Feliz, pois a população no entorno não vandalizou, invadiu ou roubaram qualquer coisa referente a  ferrovia e as estações, embora os trens que la estão ja estejam vandalizados, porém tudo está lá mesmo sem ter qualquer funcionario do estado ou seguranças para tomar conta do local. Para não dizer que não houve roubo, neste mesmo mes, a policia prendeu um grupo de policias e bandidos que estavam roubando seus trilhos para venderem para construtoras e como bode expiatório, estavam alocando estes trilhos numa entrada de uma favela no intuito de dizerem que quem estavam fazendo isso eram traficantes para usarem estes trilhos para barricada contra a policia nas entradas das favelas. Só que a farsa caiu por terra, pois estavam utilizando carretas e tirando quantidades imensas de trilhos e alocando neste local e um carro da policia estava escoltando esta carreta. Uma coisa é certa, o trafico pode até dar dinheiro, mas os traficantes não possuem e não se interessam de ter equipamentos profisionais para retiradas de trilhos. Quem rouba trilhos não é a população pobre  e favelada podem ter certesa disso, mas sim pessoas com certos recursos financeiros e com equipamentos disponivel, coisa que favelado não possui, pois os trilhos  são extremamente pesados. Estes bandidos se aproveitaram do fato de a linha está desativada por conta de um projeto de metrô, cuja as obras ainda não foram iniciadas.
      O governo do estado desativou a linha, pois iria iniciar as obras para a construção da linha 3 utilizando os vagões que eram da linha 2 e que faziam o antigo pré-metro. Tanto é que a concessionária Metrô Rio que os guardava em sua oficina na Central os tirou dali e os levou para o Rabicho da Tijuca no intuito de ja disponibizarem para o estado, o que acabou não ocorrendo. As obras da linha 3 não iniciaram ainda, pois estão sendo auditadas pelo TCU ja que este orgão encontrou irregularidades na licitação e na obra em si. Por isso ela ainda não começou está prevista para o ano que vem.
    Enquanto isso o governo do estado bem que podia reativar esta linha recolocando seus trilhos de volta e refazer a retirada das faixas de dominio, as casa proximas aos trilhos e ir operando a linha até ter autorização do TCU e verba para começar a obra e ai sim para-la. Esta ferrovia faz muita falta aos moradores de Itaborai, principalmente para os moradores daquela localidade e de Vendas das Pedras que dependem do onibus, quando este existe, e na pior das hipótese do transporte alternativo, que é uma praga e cuja a passagens de ambos custumam ser caras. Eu andei neste trem ha dez anos atras. Ele era puxado por uma locomotiva a diesel e andava no meio de ruas e avenidas parecendo um bonde. Na época em que esta ferrovia foi criada as avenidas e bairro de Niteroi e São Gonçalo não existiam, era tudo mato. Durante os anos foram surgindo bairros e avenidas e a ferrovia se integrou a paisagem. Ela ao contrário das ferrovias que passam dentro da cidade do Rio, não possui muros, por isso adquiriu este formato de bonde.
    Desde a privatização tem ocorrido um abandono muito mais perveso do que na época da RFFSA, pois na época dela, quando ela extinguia ferrovias, ela fazia um relatório em cima disso e dizia o porquê de tal ferrocia ser eradicada por mais controversa e injusta que possa ser a decisão dela na época. Hoje não, as concessinarias simplesmente abandonam o trecho deixando que favelados invadam para morar, fazendeiros oportunistas invadam o trecho para aumentar o tamnho de usas propriedades, que bandidos roubam seus seus trilhos e prefeituras a revelia invadam seus leitos para construir praças e avenidas para ganhar votos. E no caso do material rodante, elas desmontam e vendem para ferro velhos, isso quando bandidos não roubam na encolha este material. Tudo isso ficou mais acelerado ainda depois que o governo Lula extinguiu a RFFSA por meio de uma medida provisória e passou os imoveis para o SPU, os funcionarios para a VALEC(sucessora da RFFSA) e os contratos de arrrendamento para o DNIT. No interior de São Paulo um gurpo de bandidos tentaram vandalizar uma locomotiva elétrica, mas como a população denunciou, o DNIT e a PF enviou policiais e seguranças para evitar o roubo. Outro caso de abandono é o das ferrovias da Vale no Rio de Janeiro. A Vale desde que assumiu as linhas da antiga Leopoldina no Rio abandonou o trecho Rio-Campos e nunca operou a o trecho da Linha Auxiliar que vai de Japeri a Três Rios desde que assumiu. No caso do trecho Rio- Campos, ela e a Petrobras decidiram não mais transportar combustivel pela ferrovia para Reduc, por conta disso, esta ferrovia esta com toda extensão abandonada e sem operação. O prefeito de Macaé vendo isso ja que suas linhas passam no municipio fez uma proposta prá lá de ousada e inteligente, quis tranformar o trecho que passa em sua cidade em metrô utilizando suas linhas e sem modifcar nada. Ele fez o pedido a Vale, ao goveno do estado e a ANTT, até agora não foi atendido. Enquanto isso a linha Japeri-Três Rios está abandonada tendo seus trilhos roubados e fazendeiros estão invadido seu leito e anexando as suas propriedades, principalmente apartir de Miguel Pereira.
    O governo no ano passado sinalizou refazer os contratos de privatização das ferrovias, pois o mesmo além de constatar as irregularidades no processo de privatização ,constatou o abandono de varios trechos ferroviario. Diante disso, ele que fazer fiscalização por ferrovia e não por área de atuação como é hoje, quer tomar de volta as ferrovias e trechos que as concessionárias abandonaram e relicita-las e repassa-las para operadores de carga de pequeno e médio porte e para operação de linhas de passageiros.As concessioárias reagiram alegando que estes trechos podem está hoje inativos, mas que no futuro podem voltar a funcionar, como disse a ALL em Sampa quando o governo ameaçou tomar trechos abandonados de volta. A Vale deu uma desculpa esfarrapada dizendo que tais trechos estão em estudo para voltarem a operar novamente. Enquanto isso, empresarios e população reclamam, pois pagam frete caros por conta das estradas e esburacadas e do alto valor dos pedágios e a população fica sem uma opça barata e segura de transporte.
Este é o atual panorama do Brasil em termos de transporte que só a população pode mudar isso, através de muita luta e pressão. O terreno está propicio para isso. E só!

Um comentário:

Luciano Monteiro disse...

Sinto vergonha de viver num país onde a história é ignorada e a população tratada como lixo. Bandidos sobrevivem cobrando um absurdo no transporte alternativo e o povo é obrigado a pagar por não ter opção. Ônibus caríssimos não atendem a demanda e o povo sofre... Sofre pela estupidez, pela ignorância, pela burrice. Décadas se passaram e a quadrilha que governa o estado não muda: Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral e Pezão. Bandidos e farinha do mesmo saco. Esse povo idiota merece sofrer...