quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Sobre as fortes ondas de calor que atingem o Rio e o Brasil



    Desde o começo de dezembro de 2014 não ha chuvas fortes ou temporais no Rio de Janeiro. Para não dizer que não houve chuva, ocorreu um em Bangu com um vento que parecia um furacão nos últimos dias do ano passado. Após isso não choveu mais.
     O maior temor que se tem é que ocorra o que aconteceu no ano passado, onde um forte bloqueio de uma massa de anti ciclone chamada de Alta Subtropical Atlântico Sul bloqueou as frentes frias na maior parte do Brasil do dia 25/12/13 a meados de março do ano passado. A versão do ASAS do ano passado era mais forte e mais densa que a desse ano. Tão densa que causou seca e quase esvaziamento dos reservatórios de água em boa parte do país, sobretudo em São Paulo e no Rio. Em função disso, São Paulo está em estado pré racionamento de água e o Rio de Janeiro não escapará disso também. Tal seca foi tão prejudicial que reduziu a quantidade de água em Itaipú e causou a seca das nascentes do Rio São Francisco. Isso impactou na geração de energia elétrica, o que obrigou o governo e as distribuidoras de energia elétrica a recorrerem a termoelétricas, encarecendo o custo de geração de energia e poluindo o meio ambiente. Tal medida está promovendo o encarecimento das contas de luz junto com as medidas populistas equivocadas que o governo adotou nesse setor em 2012.
     Esse ano a força do ASAS será menor do que a do ano passado, mas menos devastador como do ano passado. Ele não será um muro como foi no ano passado, mas irá ir e voltar e nessas idas e volta, bloqueará a maior parte das frentes frias.
     Vale lembrar que o ASAS está sempre presente na boa parte do continente sul americano, mas nunca foi tão forte como nos outros anos. O que tem feito o ASAS ser tão forte e intenso do que os outros anos? Três são as principais causas: poluição e devastação do meio ambiente, El-niño e as aguas a região do Atlântico Equatorial que estão frias e não vaporizam. A poluição do ar com geração de metano e gas carbônico e a devastação de floresta não apenas na Amazônia, mas nas regiões de mata atlântica, faz com que o calor se torne cada vez mais intenso. No caso das regiões de mata atlântica o efeito da devastação dessas matas é tão direta e nociva que causa o aumento do calor nas regiões urbanas, redução da umidade do ar e muita seca. Isso sem contar o desmatamento das matas ciliares, que são as matas que ficam na beiras dos rios e que com sua devastação faz com que as vazão dos rios diminua drásticamente, uma vez que não há retenção de agua no entorno dos rios. Sobre o El-niño, ele causa exatamente o que estamos vendo e sentindo, que é o fortalecimento do ASAS e o esfriamento do Atlântico Central. Ele também é o responsável pelas ondas de calor na Austrália. Sobre o resfriamento do Atlântico Central, este é causado diretamente pelo El-niño. No verão essa região deveria está quente como toda região do hemisfério sul da Terra em função do solstício dessa estação onde essa parte fica mais voltada para luz do sol, e que em função disso há uma vaporização de aguas da mesma e que são direcionadas ao sul, formando os chamados rios voadores. Por causa do El-niño isso não aconteceu e no ano passado não se formou estes rios voadores. Esse ano o El-niño perdeu um pouco dessa intensidade, o que possibilitou ter um pouco de rios voadores e o ASAS menos intenso e variável.

    
    Ha alguma coisa que possa ser feito para mudar esse quadro e ter essas chuvas de verão de volta fazendo com que as estações do ano fiquem do jeito certo como nos outros anos? De princípio nada de imediato. Uma que pode ser feito é o reflorestamento de áreas desmatadas e a punição severa de desmatadores, outra e a mudança de modais de transportes como o ferroviário e o hidroviário (em áreas que o El-niño não causou estrago) e o investimento em geração de energia limpa. Uma mais imediata seria o uso da geoengenharia para geração forçada de chuva, porém este nem sempre é eficaz, sobretudo se o clima tiver muito seco e dependendo do método de geração de chuvas feito pela geoengenharia, este poderia causar mais estragos do que benefícios, pois alguns métodos causariam a poluição dos solos, mananciais e lençois freáticos. E a terceira é esperar, pois o El-niño é cíclico, ou seja, ele fica um tempo e depois desaparece e ai o clima e as estações do ano voltam ao normal. No caso do El-niño ele dura em torno de 18 meses, logo é muito provável que se 2015 for igual a 2014, 2016 será um ano extremamente chuvoso e até mesmo frio por conta do fim de ciclo do El-niño.
     Diante desse cenário cabe a nós esperarmos e pedir muito a Deus e aos astros que mudem este cenário, que encerrem logo o El-niño e venha logo as chuvas e o refresco. Tirando isso, caberá a nós esperar 2016 para ver as chuvas, pois nesse ano elas voltarão com força total. E por fim, que isso serva de alerta a sociedade e as elites dirigentes desse país, que tomem atitudes e medidas preventivas e corretivas de forma a diminuir o efeito das estiagens em relação ao abasteceimento de agua e geração de energia, e que estes estejam preparados para quando a chuva voltar, pois quando o El-niño acabar, elas virão com força total e serão tão ou mais impiedosa que nos anos anteriores. No caso do Rio, essas chuvas em ano de olimpíada seriam um desastre total. Logo algo deveria ser feito para ontem e cabe a nós como sociedade civil cobrar deles e de forma incisiva, sistemática e contínua. Não podemos ficar passivos a isso de maneira nenhuma, pois seremos os mais prejudicados diretamente. Fica então o aviso do das consequencias do El-ñino e o que se pode fazer ainda a tempo. Veja abaixo as explicações da metereologista do Clima Tempo, Josélia Pegorin e da metereologista Patricia Madeira



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