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quarta-feira, 24 de julho de 2013

'Otoridades' fazem de tudo para comprometer Jornada Mundial da Juventude

Várias delas compareceram na última segunda-feira no Palácio Guanabara, com seus falsos sorrisos e seus discursos com slogans, clichês e jargões lulistas, tentando pegar carona no discurso do Papa Francisco, durante a recepção ao pontífice. Só que, minutos antes, o bispo de Roma ficou preso num dos costumeiros engarrafamentos da Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, incidente este provocado por interdições de ruas do centro da cidade e por erro de trajeto da comitiva da Polícia Federal que escoltava o Papa. Ainda naquela tarde de segunda-feira, representantes da Polícia Federal e o Secretário Municipal de Transportes trocaram acusações sobre o incidente.

Pra começar a JMJ com o toque inconfundível das otoridades brasileiras, o Metrô parou ontem à tarde por duas horas, com falta de energia. Bem na hora do deslocamento de peregrinos para a missa de abertura da Jornada, marcada para 19h na Praia de Copacabana. O Metrô carioca foi privatizado por Marcello Alencar nos anos 90 e desde então vem piorando com a falta de zelo dos desgovernadores do Estado e da agência estadual de transportes públicos (em minúsculas, mesmo) criada pra deixar tudo ao bel prazer dos concessionários. O Metrô alega que houve rompimento de um cabo de energia, obrigando a equipe de manutenção a parar o sistema todo (apenas duas linhas, em um ridículo esquema em Y) para fazer o concerto emergencialmente. O resultado é que milhares de peregrinos que desconhecem a cidade (muitos vindos de cidades distantes ou de outros países) se viram em trens e estações de metrô às escuras, foram colocados para fora e se viram obrigados a procurar aquelas caixas de remédio sobre rodas chamadas de ônibus municipais, alguns superlotados (nem aceitavam mais passageiros, de tão cheios). Muitos peregrinos estavam visivelmente desorientados, embora ainda estivessem animados e confiantes com a Jornada em si. Alguns peregrinos que desembarcaram na estação de metrô de Botafogo perguntavam a moradores do bairro como chegar a pé em Copacabana, onde passageiros que queriam sair do bairro andavam a pé da estação Siqueira Campos até a estação Cardeal Arcoverde, na esperança de que esta estivesse aberta. Em vão. No Rio de Janeiro de Cabral Filho, até quem não é católico é obrigado a peregrinar. Nem que seja de uma estação de metrô a outra.

Falando no homem, já passou da hora do governador renunciar ao cargo e catar algo que preste para fazer. Só não vale fazer o que fazia antes, nos tempos de deputado e senador: botar os velhinhos para dançar enquanto apoia alguma outra Deforma da Previdência.

As otoridades se comprometeram em 2011 a colocar uma infraestrutura na cidade que não comprometesse a estada de inúmeros peregrinos do Brasil e do exterior e nem a vida dos habitantes locais da cidade, fossem católicos ou não. Aconteceu o que se esperava: estão gastando montanhas de dinheiro com resultados pra lá de duvidosos. Torrar dinheiro esses caras sabem. Falta investir direito.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A dança dos números nos ônibus cariocas


Continua a dança dos números nas linhas de ônibus municipais cariocas. Várias delas trocaram de número depois do início do fardamento dos ônibus: todos eles pintados com o mesmo padrão, com detalhes mínimos por cores diferenciando os ônibus que operam linhas de um dos quatro consórcios existentes na cidade. A dança é muito cômoda para os politiqueiros tecnocratas do município do Rio de Janeiro e dá um nó na cabeça dos distintos passageiros. Depois da mudança de linhas do consórcio Transcarioca como Praça 15 - Vila Valqueire (de 260 para 363, operada pela Transportes Estrela) e Praça da República - Praça Seca (de 284 para 371, operada pela Viação Novacap), linhas do consórcio Internorte começaram a mudar seus números também. O ônibus da foto é da Pavunense. Ele aparece na frente do Norte Shopping, operando numa linha do consórcio Internorte: a antiga linha 687 (Méier - Pavuna), que está mudando para 615. Na verdade, a maioria dos ônibus dessa linha continua circulando com o número 687, sem qualquer referência ao 615, que é um número bem baixo da casa dos 600. Os números mais próximos são de linhas da região da Barra e de Jacarepaguá, todas de outro consórcio: o Transcarioca, não do Internorte.

Deve ter politiqueiro tecnocrata da área de transportes do município do Rio de Janeiro com números demais na cabeça, querendo enfia-los na cabeça dos passageiros de ônibus. Se ao menos algum deles fosse um compositor talentoso como Raul Seixas (autor da música Os Números, juntamente com Paulo Coelho), poderia até fazer uma música.