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sábado, 18 de agosto de 2012

Ascensão e queda da MTV Brasil


Escrevo este texto diante da notícia das possíveis venda e extinção da MTV Brasil, anunciada na coluna Outro Canal, da Folha de São Paulo.

A MTV Brasil é, na verdade, a TV Abril, rede de TV do grupo homônimo, que tem uma geradora em São Paulo no canal 32 UHF, além de repetidoras em diversas cidades brasileiras, e usa a franquia MTV, licenciada junto à proprietária da marca: a americana Viacom. A MTV Brasil foi fundada em 20 de outubro de 1990, entrando no ar no canal 32 paulistano (a geradora própria da TV Abril) e no canal 9 do Rio de Janeiro, arrendando junto à TV Corcovado. A MTV era uma emissora bacana. Era escorada essencialmente em programas de clipes musicais, cada um com um estilo, mas todos eles voltados à audiência juvenil. Era uma emissora evidentemente pop. Mas tinha informação musical, que eram passadas pelos apresentadores nos programas de clipes e também pelos programas jornalísticos e nos especiais. Quando a emissora transmitia pelo canal 9, o pessoal assistia direto. O impacto era tão avassalador que influenciou (conceitualmente e negativamente) até a mídia roqueira, como a Fluminense FM, rádio que ficou no ar até setembro de 1994. Até o Frejat era telespectador assíduo, segundo o que ele disse quando a emissora deixou o canal 9. Sim, porque em 1992 a TV Corcovado foi comprada pela Rede OM (atual CNT), substituindo a bem azeitada programação musical por programas grossos como o ultrarreaça Cadeia, que despejava no ar noticiário policial de Curitiba. O jornalista Sérgio Cabral (ele mesmo, o pai do atual desgovernador) é que devia gostar dessas coisas, pois deixou claro estar aliviado com a substituição da programação da MTV pela da Rede OM. A partir da saída do canal 9, os telespectadores sofreram para acompanhar a programação, através da repetidora no canal 24 UHF, atualmente ocupando o canal 48. Aliás, continuam sofrendo, até hoje. Quem não assina a NET assiste a emissora com chuviscos e chiados em vários pontos da cidade.

Um clipe marcante desta fase áurea da MTV (mesmo no canal 24 UHF) foi o da música Pérola, do CD Paulo Ricardo & RPM, lançado pelo RPM em 1993.



A MTV era legal quando a letra M de seu nome era M de Music, ou música. Ou seja: na década de 1990, quando seu carro chefe eram os clipes e programas musicais. Na segunda metade da década de 1990, a coisa degringolou. Passaram a exibir clipes de música popularesca, deformando o formato originalmente pop. O formato foi extinto de vez em meados da década seguinte (a do ano 2000), quando a emissora deixou de ser propriamente musical e encheu a grade quase toda com programas de auditório e humorísticos acéfalos, deixando os melhores clipes apenas para a madrugada e o início da manhã. O M da MTV passou a significar outra coisa. Não música. Imaginem que M é essa.

Na segunda metade dos anos 90 e na década de 2000, só prestavam poucas coisas, como os especiais Acústico MTV e MTV Ao Vivo. Eu mesmo comprei alguns CDs e DVDs desses especiais. A série Acústico MTV começou na verdade lá em 1992, com o CD Acústico MTV de João Bosco. Mas a série se tornou célebre na segunda metade dos anos 90, ao literalmente ressuscitar a carreira de muita gente boa do pop e do rock brasileiro. Titãs (1997) e Capital Inicial (2000) devem muito do sucesso posterior deles aos programas, discos e DVDs acústicos lançados com a MTV, nesses respectivos anos. Hoje, nem esses projetos arrojados temos na MTV.

Segundo a coluna Outro Canal, a TV Abril poderá ser vendida, e o grupo Abril poderá renegociar a franquia MTV (licenciada até 2018) de volta para a Viacom, que poderá criar a sua própria MTV Brasil agora como canal pago, sem aproveitar nenhum dos atuais programas ridículos da MTV Brasil. Melhor assim.

domingo, 31 de julho de 2011

Sobre a Globo News canal 36 UHF e os canais de TVA

     Reinaugurando a minha participação no site TVs do RJ, comecei  esclarecendo algumas coisas relacionadas a Globo News canal 36 UHF. Em fevereiro deste ano, mas precisamente no carnaval, estive passando no sambódromo e me deparei com uma equipe de técnicos de um carro de externa da Globo que fazia a cobertura daquele evento. Diante disso, aproveitei para fazer perguntas relacionadas a situação do canal 36 pertencente a Rio Metro TVA, cujo o nome fantasia é Globo News. Perguntei a eles três coisas, sobre sua origem, história, função daquele canal, o porquê de este ser mantido seu sinal  codificado e sobre aquele momento em meados do ano passado onde este ficou descodifcado por quase dois meses. Eles me responderam o seguinte: aquele canal, assim como demais os canais de TVA, não eram oferecidos para pessoas físicas, mas para prédios, condomínios e operadoras de tv por assinatura, para serem oferecidos aos seus condôminos e assinantes.

     Eles eram oferecidos da seguinte forma: no caso dos condomínios e prédios, tanto a Globo News como os demais canais de TVA, forneciam seus decodificadores para os condomínios e estes disponibilizavam para os seus condôminos por meio do sistema de antena coletiva, onde estes últimos pagavam ou não uma pequena mensalidade para receber estes canais junto com os canais abertos através desta. No caso das empresas de tv por assinatura, era a mesma coisa onde estas ao invés de captar o sinal destes canais por satélite ou fibra ótica como é hoje, também se utilizavam do mesmo serviço para fornecer estes canais para seus assinantes, onde estes canais também forneciam seus decodificadores para estas empresas. Resumindo, eles não eram feitos para serem recebidos pelo usuário final, ou seja, o telespectador ou assinante, e sim, para um intermediário que repassava para os primeiros.  Isso era óbvio de perceber, pois se fosse assim,o assinante o telespectador destes canais de TVA teria que ter um decodificador para cada canal, o que seria um tremendo transtorno além de ser impraticável.

     Eles inicialmente eram focados para os condomínios e prédios, numa época em que as operadoras de tvs por assinatura eram inexistentes ou ainda estavam engatinhando. Com a expansão das empresas de tv por assinatura e com a mudança de obtenção de sinal destes canais de TVA por satélite e fibra ótica, e ainda, a ida destas empresas para os condomínios e prédios, a existência destes canais de TVA se tornou praticamente inútil. Então para continuar existindo, eles passaram a abrir total ou parcialmente seus sinais, além é claro, de arrendar parte ou totalmente sua grade horária para terceiros como ocorre hoje.

     Durante todo este tempo em que ocorreu evoluções nestes canais de TVA, o governo nada fez. Só veio a tomar alguma posição sobre eles agora com a vinda da tv digital e com a necessidade de se tomar alguma posição sobre a situação deles. Durante mais de vinte anos em que eles estão ativos, e vivendo esta situação de zumbis, o governo além de não fazer nada, também não sabia o que fazer com eles, empurrando a resolução desta situação deles durante anos e anos. Este teve o poder de transformar estes canais em canais abertos comuns ou restranmissões de geradoras de tv aberta e não o fez, ou seja, só agora ele está tomando posição sobre isso e mesmo assim, de forma tímida e lenta.

     Voltando ao assunto sobre a Globo News, eles me informaram que aquele período de dois meses em que este canal esteve com seu sinal descodificado, foi por conta de um erro operacional por parte deles e que não era para ter acontecido, embora eles tenham admitido aquilo como um teste de sinal. Com relação ao fato de mante-lo descodificado em parte da programação ou totalmente descodificado, eles me relataram que não está no plano da Globo fazer isso e que esta também não quer faze-lo. Perguntei a eles porque diante disso eles ficam transmitindo um sinal codificado para o nada, já que na teoria ninguém pode recebe-lo e eles me disseram que era para manter o canal ativo e o governo não tomar este canal de TVA pertencente a Globo por inatividade, por isso eles o mantém no ar mesmo transmitindo nesta situação.

     Tal situação se constitui um tremendo desperdício de espectro, tempo, energia e de dinheiro, que só prejudica a quem quer e precisa trabalhar, como no caso de geradores e produtores honestos, a população que deixa de ter mais opções de canais abertos disponíveis. O outro problema seria o desperdício de espectro, onde estes canais poderiam estar sendo usados não apenas para a faixa de TV como para outros serviços como internet, celular, radio e TV amador,  que é uma versão televisiva do rádio amador que existe em outros países como nos EUA, em vários países da Europa e da América Latina, e energia e dinheiro, pois se gasta inutilmente energia e dinheiro com funcionários e energia elétrica para manter estes equipamentos de transmissão funcionando. Espera-se que o governo decida logo o que fazer com eles e os transformem em canais digitais, porém entregando a quem realmente quer trabalhar e não para oportunistas como fazem hoje com os canais analógicos. Enquanto isso, nós telespectadores temos que esperar por tais mudanças e ir acompanhando suas programações limitadas e arrendadas destes canais de TVA. Que isso se resolva logo.