A raiz de todos os males está dois anos atrás, quando a organização da Jornada Mundial da Juventude propôs que a vigília de sábado e a missa de domingo fossem feitas no Aterro do Flamengo, o que foi vetado pela gestão do prefeito Eduardo Paes, depois das reclamações de moradores da zona sul a respeito de megaeventos evangélicos acontecidos no mesmo local. A Prefeitura ofereceu cinco outros lugares. Até uma base aérea da Aeronáutica foi oferecida. Mas o local oferecido pela gestão municipal e aceito pela equipe organizadora da Jornada foi um terreno em Guaratiba, onde cabem 2 milhões de pessoas, maior que o Aterro do Flamengo e 3 vezes maior que o Vaticano. O terreno fica praticamente no extremo oeste da cidade, bem longe do centro do Rio de Janeiro e das zonas sul e norte. O terreno, segundo dizem, pertence a proprietários de empresas integrantes de consórcios que operam as linhas de ônibus municipais da cidade.
O resultado dessa operação desastrada está em vários lugares da imprensa e da Internet. Inclusive no Ucho. A chuva que atinge a cidade desde segunda-feira transformou o terreno de Guaratiba num pantanoso lamaçal. Segundo relatos, até jacarés foram encontrados ontem por lá. O prefeito Eduardo Paes se viu obrigado a permitir que os organizadores transferissem o evento para qualquer outro lugar. Para os organizadores, liderados por Dom Orani Tempesta, não restou outra solução que não fosse transferir a vigília e a missa para o mesmo local da missa de abertura de terça, a acolhida ao Papa de ontem e a Via Sacra de hoje: a Praia de Copacabana.
A Prefeitura bancou obras no entorno do terreno em Guaratiba e, segundo dizem, a terraplanagem e a contratação de equipes de saúde de plantão. O Exército ficaria com a segurança do Papa e dos demais peregrinos. Todo o restante (palco, som, iluminação, banheiros, tendas, etc) saiu do caixa do instituto que banca a Jornada. A maior parte do orçamento do instituto (R$ 350 milhões, bancados basicamente com doações e patrocínios privados variados, como do Bradesco) está lá agora, no lamaçal. A esta lambança em Guaratiba, some-se o incidente com a escolta do Papa na avenida Presidente Vargas e a paralisação do Metrô na terça-feira, já descritas neste blogue. É uma lambança atrás da outra.
Eu sempre desconfiei dessa corja da política nacional bajulando o Papa e o episcopado, ao mesmo tempo em que despreza os fiéis católicos ("joguem aqueles carolas lá em Guaratiba") mas se interessando, obviamente, nos seus votos. Agora essa corja está provocando um prejuízo monumental para o instituto Jornada Mundial da Juventude, que se soma aos gastos da Prefeitura e ao prejuízo da imagem da cidade nos cenários nacional e internacional. Mas o dinheiro e a cidade não são deles... Estão pouco se lixando.
E ainda querem sediar Copa e Olim Piada nesta cidade. Se a JMJ está sendo um teste para a cidade, o estado e o país, as otoridades fracassaram.
"Sempre ouvi dizer que o carioca não gosta de frio e de chuva. A fé de vocês é mais forte que o frio e a chuva. Parabéns!" (Papa Francisco)
Pelo menos os cariocas (e, por tabela, os peregrinos) são guerreiros, como bem disse ontem Papa Francisco. Pelo menos o povo católico tem Dom Orani para os livrar do lamaçal literal de Guaratiba. Só falta a população (católica ou não) se livrar do lamaçal político.
Mostrando postagens com marcador Metrô RJ. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Metrô RJ. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Mar de lama da política brasileira obriga organizadores da JMJ a transferir eventos para Copacabana
Postado por
Marcelo Delfino
às
sexta-feira, julho 26, 2013
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
Bradesco,
catolicismo,
Copa 2014,
Dom Orani Tempesta,
Eduardo Paes,
Exército,
FAB,
ICAR,
JMJ,
Metrô RJ,
Olimpíada 2016,
Papa Francisco,
Rio de Janeiro,
Ucho,
Vaticano
quarta-feira, 24 de julho de 2013
'Otoridades' fazem de tudo para comprometer Jornada Mundial da Juventude
Várias delas compareceram na última segunda-feira no Palácio Guanabara, com seus falsos sorrisos e seus discursos com slogans, clichês e jargões lulistas, tentando pegar carona no discurso do Papa Francisco, durante a recepção ao pontífice. Só que, minutos antes, o bispo de Roma ficou preso num dos costumeiros engarrafamentos da Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, incidente este provocado por interdições de ruas do centro da cidade e por erro de trajeto da comitiva da Polícia Federal que escoltava o Papa. Ainda naquela tarde de segunda-feira, representantes da Polícia Federal e o Secretário Municipal de Transportes trocaram acusações sobre o incidente.
Pra começar a JMJ com o toque inconfundível das otoridades brasileiras, o Metrô parou ontem à tarde por duas horas, com falta de energia. Bem na hora do deslocamento de peregrinos para a missa de abertura da Jornada, marcada para 19h na Praia de Copacabana. O Metrô carioca foi privatizado por Marcello Alencar nos anos 90 e desde então vem piorando com a falta de zelo dos desgovernadores do Estado e da agência estadual de transportes públicos (em minúsculas, mesmo) criada pra deixar tudo ao bel prazer dos concessionários. O Metrô alega que houve rompimento de um cabo de energia, obrigando a equipe de manutenção a parar o sistema todo (apenas duas linhas, em um ridículo esquema em Y) para fazer o concerto emergencialmente. O resultado é que milhares de peregrinos que desconhecem a cidade (muitos vindos de cidades distantes ou de outros países) se viram em trens e estações de metrô às escuras, foram colocados para fora e se viram obrigados a procurar aquelas caixas de remédio sobre rodas chamadas de ônibus municipais, alguns superlotados (nem aceitavam mais passageiros, de tão cheios). Muitos peregrinos estavam visivelmente desorientados, embora ainda estivessem animados e confiantes com a Jornada em si. Alguns peregrinos que desembarcaram na estação de metrô de Botafogo perguntavam a moradores do bairro como chegar a pé em Copacabana, onde passageiros que queriam sair do bairro andavam a pé da estação Siqueira Campos até a estação Cardeal Arcoverde, na esperança de que esta estivesse aberta. Em vão. No Rio de Janeiro de Cabral Filho, até quem não é católico é obrigado a peregrinar. Nem que seja de uma estação de metrô a outra.
Falando no homem, já passou da hora do governador renunciar ao cargo e catar algo que preste para fazer. Só não vale fazer o que fazia antes, nos tempos de deputado e senador: botar os velhinhos para dançar enquanto apoia alguma outra Deforma da Previdência.
As otoridades se comprometeram em 2011 a colocar uma infraestrutura na cidade que não comprometesse a estada de inúmeros peregrinos do Brasil e do exterior e nem a vida dos habitantes locais da cidade, fossem católicos ou não. Aconteceu o que se esperava: estão gastando montanhas de dinheiro com resultados pra lá de duvidosos. Torrar dinheiro esses caras sabem. Falta investir direito.
Pra começar a JMJ com o toque inconfundível das otoridades brasileiras, o Metrô parou ontem à tarde por duas horas, com falta de energia. Bem na hora do deslocamento de peregrinos para a missa de abertura da Jornada, marcada para 19h na Praia de Copacabana. O Metrô carioca foi privatizado por Marcello Alencar nos anos 90 e desde então vem piorando com a falta de zelo dos desgovernadores do Estado e da agência estadual de transportes públicos (em minúsculas, mesmo) criada pra deixar tudo ao bel prazer dos concessionários. O Metrô alega que houve rompimento de um cabo de energia, obrigando a equipe de manutenção a parar o sistema todo (apenas duas linhas, em um ridículo esquema em Y) para fazer o concerto emergencialmente. O resultado é que milhares de peregrinos que desconhecem a cidade (muitos vindos de cidades distantes ou de outros países) se viram em trens e estações de metrô às escuras, foram colocados para fora e se viram obrigados a procurar aquelas caixas de remédio sobre rodas chamadas de ônibus municipais, alguns superlotados (nem aceitavam mais passageiros, de tão cheios). Muitos peregrinos estavam visivelmente desorientados, embora ainda estivessem animados e confiantes com a Jornada em si. Alguns peregrinos que desembarcaram na estação de metrô de Botafogo perguntavam a moradores do bairro como chegar a pé em Copacabana, onde passageiros que queriam sair do bairro andavam a pé da estação Siqueira Campos até a estação Cardeal Arcoverde, na esperança de que esta estivesse aberta. Em vão. No Rio de Janeiro de Cabral Filho, até quem não é católico é obrigado a peregrinar. Nem que seja de uma estação de metrô a outra.
Falando no homem, já passou da hora do governador renunciar ao cargo e catar algo que preste para fazer. Só não vale fazer o que fazia antes, nos tempos de deputado e senador: botar os velhinhos para dançar enquanto apoia alguma outra Deforma da Previdência.
As otoridades se comprometeram em 2011 a colocar uma infraestrutura na cidade que não comprometesse a estada de inúmeros peregrinos do Brasil e do exterior e nem a vida dos habitantes locais da cidade, fossem católicos ou não. Aconteceu o que se esperava: estão gastando montanhas de dinheiro com resultados pra lá de duvidosos. Torrar dinheiro esses caras sabem. Falta investir direito.
Postado por
Marcelo Delfino
às
quarta-feira, julho 24, 2013
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
JMJ,
Marcello Alencar,
Metrô RJ,
ônibus,
Papa Francisco,
Polícia Federal,
Rio de Janeiro,
Sérgio Cabral Filho,
SMTR RJ,
transporte
Assinar:
Postagens (Atom)
