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sábado, 20 de abril de 2013

Está no Houaiss: pôr sob responsabilidade de empresa particular a gestão de (bem público) = privatizar

Em tempos de privatização do Maracanã, lembrei que Paulo Henrique Amorim costuma dizer que as privatizações dos governos lulo-dilmistas não são privatizações. Segundo ele, privatização só ocorre quando há venda de ativos de patrimônio público, como fez o presidente FHC com estatais como a Vale, o sistema Telebrás e várias empresas de energia elétrica. Para o homem da Conversa Afiada, o que Dilma e seus aliados fazem é concessão, com o patrimônio em questão permanecendo como propriedade da União. Como está acontecendo agora com os aeroportos. E está para acontecer com o Maracanã.

Ontem mandei um recado para Paulo Henrique Amorim através do Twitter:

Está no dicionário Houaiss: pôr sob responsabilidade de empresa particular a gestão de (bem público) = privatizar

Pra bom entendedor, 140 caracteres (ou menos) bastam.

No dicionário também está escrita a segunda definição de privatização: realizar (empresa privada) a aquisição ou incorporação de (empresa pública). Como aconteceu na Era FHC.

Tem jornalistas que deveriam voltar para a escola. Não voltam porque querem continuar no engano ou querem enganar os outros.

domingo, 14 de abril de 2013

Está no Houaiss: pôr sob responsabilidade de empresa particular a gestão de (bem público) = privatizar

Em tempos de privatização do Maracanã, lembrei que Paulo Henrique Amorim costuma dizer que as privatizações dos governos lulo-dilmistas não são privatizações. Segundo ele, privatização só ocorre quando há venda de ativos de patrimônio público, como fez o presidente FHC com estatais como a Vale, o sistema Telebrás e várias empresas de energia elétrica. Para o homem da Conversa Afiada, o que Dilma e seus aliados fazem é concessão, com o patrimônio em questão permanecendo como propriedade da União. Como está acontecendo agora com os aeroportos. E está para acontecer com o Maracanã.

No último dia 11 mandei um recado para Paulo Henrique Amorim através do Twitter:

Está no dicionário Houaiss: pôr sob responsabilidade de empresa particular a gestão de (bem público) = privatizar

Pra bom entendedor, 140 caracteres (ou menos) bastam.

No dicionário também está escrita a segunda definição de privatização: realizar (empresa privada) a aquisição ou incorporação de (empresa pública). Como aconteceu na Era FHC.

Tem jornalistas que deveriam voltar para a escola. Não voltam porque querem continuar no engano ou querem enganar os outros.

domingo, 8 de julho de 2012

'Esta emissora está sob censura eleitoral'

Na última sexta-feira, começou a campanha eleitoral. Isso oficialmente, porque os candidatos já se apresentam há meses. Junto com a campanha oficial, começou também o que chamo de censura eleitoral. A legislação eleitoral feita por esses mesmos políticos dos partidos políticos com representação no Congresso Nacional prevê uma legislação eleitoral anacrônica para a cobertura das eleições no rádio e a TV, distinta da legislação para outras mídias. No rádio e na TV, não é permitido (como é permitido nas outras mídias) fazer uma análise dos prós e dos contras de cada candidatura, não é permitido emitir conceitos sobre os candidatos, sobre seus partidos ou sobre suas coligações. Só é permitido veicular elogios às candidaturas se forem feitas pelos próprios em entrevistas, ou críticas a candidaturas se forem feitas por adversários, também em entrevistas. Enfim, só os candidatos não são censurados.

Emissoras de rádio e de TV chegam a cortar a participação ao vivo dos ouvintes e telespectadores nesta época. Vai que um ouvinte ou telespectador manda a Censura às favas e resolve criticar o prefeito paspalhão, os frouxos a serviço dos barões do fânqui, os filhotes de ex-prefeitos, os filhotes de ex-desgovernadores, os víuvos da Era FHC ou a ultraesquerda boa de discurso, boa de conversa (fiada), mas ruim de Governo (isso se não for ruim de voto). Aí os dotô otoridades do TRE não querem nem saber: multam a emissora sem dó nem piedade. Alguns mandam tirar a emissora do ar.

Se os gestores das emissoras de rádio e de TV tivessem um pouco mais de ousadia, todos eles fariam vinhetas para serem veiculadas no noticiário exatamente durante a campanha eleitoral, até o fim da votação em 1º e no 2º turno. Uma vinheta em que um locutor diria laconicamente: "Esta emissora está sob censura eleitoral".

sábado, 30 de junho de 2012

Previsões sombrias sobre a Copa 2014 não são coisas de 'urubólogos'


A blogosfera lulo-dilmista, jocosa que só, cunhou um termo para aqueles que fazem a mínima previsão pessimista a respeito do desenvolvimento econômico e social do país: urubólogos. Termo normalmente aplicado apenas aos comentaristas econômicos neoliberais que geralmente trabalham na imprensa dita golpista. O engraçado é que essa blogosfera dita progressita faz algo que seu suposto adversário político Fernando Henrique Cardoso fazia, ao classificar como fracassomaníacos todos que discordavam dos rumos do Governo e da nação sob sua gestão. Não há diferença em classificar os outros como fracassomaníacos ou urubólogos.

Eu francamente discordo de uns e de outros. Discordo dos urubólogos que não reconhecem os poucos méritos do Governo e não reconhecem que, mesmo com as sérias deficiências educacionais e estruturais, este país tem um enorme potencial de crescimento. Apesar do Governo, não por causa dele, e muitas vezes apesar das ações governamentais contrárias ao país. Também discordo da blogosfera lulo-dilmista, essa em que alguns integrantes dizem detestar futebol, mas reduzem torpemente o debate político a um Fla-Flu entre os progressistas lulo-dilmistas e todos os outros, muito convenientemente não fazendo distinção entre as diferentes tendências dos outros.

Essa blogosfera progressista ainda não não classificou como urubólogos aqueles que preveem um saldo de dívidas monumentais e de estádios ociosos, após a Copa 2014. Mas não demorarão. Ficam atacando a ala fisiológica direitista que apoia o Governo Lula-Dilma (foi Lula quem trouxe a Copa) e poupam a dupla que acreditam ter encerrado a História com sua chegada ao poder, não havendo nada a surgir depois deles.

Aqui trago endereços para uma matéria radiofônica que aborda essa problemática da Copa 2014, sem mencionar uma única tendência política. É uma matéria mais técnica (sem ser tecnocrata) que qualquer outra coisa. E ainda tem o mérito de abordar o problema dos estádios ociosos da Copa 2010, que a imprensa governista tida como golpista esconde. A matéria está dividida em duas partes.

Exclusivo: quatro sedes da Copa do Mundo de 2014 têm estaduais deficitários - Com média de público irrisória, Mato Grosso, Amazonas, Distrito Federal e Rio Grande do Norte correm o risco de ficar com quatro elefantes brancos após o Mundial

Exclusivo: organizadores da Copa ignoram custos de manutenção dos estádios - Apesar dos campeonatos estaduais deficitários, Mato Grosso, Amazonas, Rio Grande do Norte e Distrito Federal mantém otimismo e rejeitam rótulo de elefante branco

Crise das esquerdas acontece não por falta de aviso

Resposta para Mingau de Aço:

Este é o melhor texto de 2012 do principal blogue do amigo Alexandre Figueiredo. Pretendo escrever uma resposta a este texto. Estou até usando a mesma imagem do Blogger, pra ligar bem um texto com outro. Não pretendo reproduzi-lo no meu blogue. Pretendo apenas escrever algo que acrescente algo do que penso sobre esses assuntos.

Não foi por falta de aviso que o amigo e outros eleitores de Dilma Rousseff estão vendo a crise das esquerdas, seja a lulo-dilmista no poder ou a esquerda oposicionista. Eu e muita gente contrária ao neoliberalismo e à esquerda avisamos que a presidenta aliada à fauna e à flora da fisiologia partidária brasileira (PMDB à frente) faria um governo tão cheio de bandalheira como o que seria (e jamais será) um novo governo tucano, que também teria partidos fisiológicos na base, incluindo o próprio PMDB. Mas, não! Os eleitores de Dilma não nos deram ouvidos. Preferiram fazer de tudo para nos cooptar, nesta maldita falsa democracia que nos OBRIGA a ir lá nas urnas, ao invés de nos dar o direito de ir lá votar ou de fazer outra coisa no domingo.

Aliás, abro aqui um parênteses. Parece que meu amigo, xará e irmão do Alexandre chamado Marcelo Pereira quer cooptar para o socialismo a turma que ainda quer ficar em cima do muro numa época como esta (exemplo aqui). Sei disso porque fui dessa turma. Eu não tinha posicionamento algum, há pouco tempo atrás. Era tipo um Enéas da vida: "contra tudo isso que está aí". Quando leio os textos do xará, percebo que ele escreve para gente que é hoje como eu fui no passado. Ele até confundiu as coisas, muito por minha culpa. Aquele termo infeliz que inventei há tempos atrás, o cimismo ou ser cimista, não significava "ficar em cima do muro". Significava estar ao lado do Brasil, que está ACIMA desse cenário político-partidário-ideológico. No entanto, acredito que o termo, usado malandramente pelo meu xará para cooptar internautas para a causa socialista, acabou adquirindo esse significado que Marcelo quis impor, do "ficar em cima do muro", mesmo. Mas alguns estrupícios que estavam em cima do muro nos anos 80 era melhor que tivessem ficado lá. Os tucanos, por exemplo. Se tivessem ficado lá até hoje, não teriam eleito FHC nem teriam posto a Pátria à venda. Eu deixei o muro não para vender a pátria como o demo-tucanato fez. Foi para sair do comodismo rancoroso de um quase quarentão e para ansiar alternativas nacionalistas para este país. Alternativas não neoliberais e não extremistas, nem pela extrema esquerda nem pela extrema direita. Comecei a buscar alternativas ainda no tempo do extinto blogue Brasil, um País de Tolos, que tive que extinguir exatamente para marcar essa minha mudança de comportamento e em respeito aos leitores que talvez não concordassem em acompanhar o novo blogue. Fiz uma faxina na minha lista de linques, antes de criar este blogue aqui. Foi uma lipoaspiração, mesmo. E ainda coloquei um linque para um partido novo que ainda pretendo ver registrado, que na verdade tem 11 anos mas não obtém registro no TSE porque o tribunal quer manter essa corriola de 29 partidos fisiológicos ou que querem ser fisiológicos, que vão do extremo PCO ao direitista envergonhado DEM, passando por partidos de direita oposicionista, direita governista, esquerda governista e esquerda oposicionista. Todos os quatro grupos unidos contra a soberania nacional. Não que não haja nacionalistas no campo da esquerda nem no da direita. Há, sim. Só que são esmagados pela máquina política representada pelas mais diversas corporações privadas, por ONGs e por esses 29 partidos políticos. Espero que esses nacionalistas se juntem um dia aos que já saíram dessa farsa dos 29 partidos.

Se querem mais exemplos de posicionamentos, não de omissões ou do cimismo tal como imaginado por meu amigo xará, continuem acompanhando este blogue.

Voltando ao artigo do Alexandre, há mais coisas citadas por ele que gostaria de comentar.

Também acredito nos movimentos sociais. São manifestações de uma sociedade que pretende ser democrática, embora ainda não seja devido a questões como o voto obrigatório, já citado neste texto. Os movimentos que respeito são diversos, como movimentos sindicais, de sem terra, de sem teto, de estudantes e vários outros. Eu mesmo participei das movimentações sindicais da categoria da qual fiz parte: a de auxiliares de controle de endemias. Passei muitas manhãs e inícios de tarde embaixo de sol quente na frente da Prefeitura, em manifestações reivindicatórias. Será que algum amigo leitor participou alguma vez de manifestações reivindicatórias para sua categoria? Fora essas manifestações, perdi a conta do número de manifestações (não de natureza sindical) as quais compareci. A diferença minha para o Alexandre é que não acredito nessa de que movimento social deva ser, necessariamente, ligado à esquerda. Vide os países com regime de partido único, geralmente comunista. Lá não tem como movimento social reivindicatório ser de esquerda. Tem que ter outra tendência política. Senão vira chapa branca e não conseguirá arrancar nada do Governo. O ideal é que movimentos sociais sejam politizados (senão não existem), mas sem serem ideológicos. Vai que antigos aliados assumem o Governo e esse Governo trai o movimento social, como acontece agora mesmo com alguns movimentos sociais que se dizem decepcionados com Dilma Rousseff. Só resta se virar contra o Governo ou aceitar caladinhos o papel de otários eleitores governistas traídos.

Dou meus parabéns a Alexandre Figueiredo por ele ter dito que a privatização dos aeroportos mancha o governo de Dilma Rousseff. Alexandre não tem noção do quão vis são essas dondocas progressistas com quem ele tem andado, inclusive em encontros de blogueiros progressistas no Rio de Janeiro. Agora mesmo Paulo Henrique Amorim (o homem da conversa fiada) defendeu na TVT a privataria dilmista, dizendo que são concessões, não privatizações como as de FHC e José Serra. Esses caras são capazes de descartar sumariamente qualquer dissidente que ouse questionar atitudes da "Nossa Senhora do Divino Lulopetismo" (senhora deles, que fique claro). Alexandre Figueiredo critica com razão os neocons da direita. Ele mesmo pode ser chamado de neocon por essa esquerda chapa branca, ao discordar de alguns pontos do Governo dos sonhos do lulodilmismo. Eu tive contatos há um tempo atrás com aquele grupo de dondocas reacionárias do Blogs pela Democracia, e botei meu antigo blogue naquele grupo por alguns dias ou semanas, mas ouvi meu amigo Marcelo Pereira, pensei melhor e deixei aquelas dondocas reacionárias pastando sozinhas. Meu amigo Alexandre será capaz de deixar o tal movimento de blogueiros progressistas quando ele mesmo for chamado de neocon? Raphael Tsavkko já deixou.

Como Alexandre, não gosto de sermões de pastores tipo RR Soares e Silas Malafaia, não curto o programa do Chaves mexicano, detesto noticiário policial e mais ainda o Big Brother seja lá de que país for.

Não faço críticas à esquerda apenas por fazer, pra dizer que todo mundo é igual, todo mundo é corrupto, nem sou nenhum anarquista, que acredita que não devesse haver Estado, nem Governo, nem Executivo, nem Legislativo, nem Judiciário. Senão não poderia ter passado a vida inteira fazendo concursos e trabalhando em órgãos públicos. As alternativas que desejo para o meu país eu exponho constantemente neste blogue. Pena que essas alternativas são esmagadas por esse cenário político-ideológico-partidário daqueles grupos todos que citei antes. Não compactuo com neocons nativos tipo Reinaldo Azevedo, nem neocons gringos como Yoani Sanchez, dissidente cubana escalada pelos irmãos Castro para receber gordos proventos de toda a direita mundial (os Castro poderiam ter confiscado a grana) para espinafrar o Governo cubano na precária Internet local e pra todo mundo dizer "Oh! O Governo cubano é democrático! Tanto que permite uma voz dissidente lá dentro paga por gente de fora!". Só acredito que se esses neocons querem continuar sendo os bobos da corte neoliberal de seus países ou internacional, não podem ser impedidos. Não dá para impedir ninguém de ser palhaço.

P.S: Muita gente quer fazer da política uma coisa maniqueísta, como se houvesse apenas dois lados. Só que a política não se restringe ao preto e ao branco, ou ao azul e ao vermelho. A política é multicolorida e plural. Reflexo da multiplicidade de indivíduos, que também não são iguaizinhos uns aos outros, nem mesmo os gêmeos. Cada indivíduo é único.

Texto publicado originalmente no Blogue do Delfino.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sobre a obrigatoriedade da Voz do Brasil e o trânsito das grandes cidades


 
     Para quem está saindo do trabalho e está indo para casa ou para a escola ou faculdade, deve saber o quanto é suplicante ficar num congestionamento, principalmente quando se está atrasado, teve um dia de trabalho ou pessoal estressante e quer logo chegar em casa ou ao compromisso marcado. Nessas situações, em geral em horario de rush, ocorrem os congestionamentos, congestionamentos estes que tem o seu ápice entre as 18:30 as 21:00. Nesta hora, você leitor precisa de informações para fugir de congestionamentos ou mesmo saber sua causa, extensão e quando acaba, assim como o funcionamento dos transportes sobre trilhos, e quem lhe dá estas informações? O rádio! Mas justamente neste horário de ápice, sobretudo os horários de 19:00 as 20:00, quando você mais precisa dele para obter estas informações, você não pode contar com ele. Sabe por que? Por causa da Voz do Brasil.
     Este texto escrito por Daniel Stark, autor e dono do site Tudo Radio diz muito sobre isso, mostrando a sua utilidade, pois apesar dos transtornos que ela causa, ela ainda é, e vai continuar sendo, um excelente meio de informação, uma vez que nem tudo a midia divulga. Neste texto, ele fala que a Voz do Brasil tem a função social de informar brasileiros nos mais remotos locais do pais se sobrepondo ao poder dos coronéis divulgando informações que eles jamais divulgariam. Mais isso que ele falou não precisa ir muito longe. Uma prova de como a Voz do Brasil ainda é extremamente útil nos grandes centros foi quando na época em que estava tendo aquela onda de ataques de bandidos no Rio de Janeiro e naquela fuga dos mesmos da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão, estava sendo discutida no Congresso Nacional, mas precisamente na Câmara de Deputados a PEC 300, que unifica os salários de PM's e bombeiros ao salário dos mesmos do DF que são os mais altos do Brasil. Nesta hora, o governador Sergio Cabral ao mesmo tempo em que ficava posando na mídia, ia no Congresso lutar contra a PEC300, na mesma hoa em que vários policiais morriam e travavam lutas fraticidas nas ruas e favelas do Rio. E aonde deu isso? Na Voz do Brasil! Nenhuma emissora de ŕadio, Tv ou jornal divulgou tal noticia. E justamente nessa hora que ela mostra a sua utilidade, quando a imprensa, que criminosamente se utiliza do termo opinião publica, se apropriando do termo e se auto intitulando representante da mesma indevidamente (quando não auto intitula a tal), omite tais informações, informações testas de imensa importância para a população.
    O único defeito dela é o fato de ser extremamente chapa branca, o que é natural, já que ela representa o governo oficialmente falando. Porém, apesar de ela ter sido feita para ser chapa branca, nem sempre ela foi assim. Curiosamente durante os dois governos FHC, não apenas ela, mas os outros orgãos de impressa do governo como as Radios Nacional, MEC, antiga TVE e a própria Voz do Brasil tinham a liberdade para criticar o governo, o que fazia com que eles adquirissem certa idoneidade nas noticias que divulgavam. A TVE tinha vários programas como o Olhar 9x a 200x ( que depois mudou o nome para Espaço Publico) que criticava o proprio governo abertamente e isso numa emissora do mesmo.  A própria plástica da Voz do Brasil era boa, menos panfletária e mais sóbria. Depois que o PT entrou no governo isso acabou. Posso dizer que a questão da liberdade de expressão, sobretudo nos órgãos governamentais, foi uma das poucas coisas boas que o governo FHC ja teve tirando é claro, os erros graves cometidos pelo mesmo.
   Não sou a favor do seu fim e muito menos a sua restrição a emissoras governamentais, educativas e comunitárias, pois no caso destas últimas, estas não irão cumprir, pois a maioria delas não funcionam como tais, mas como comerciais difarçadas. Sou a favor da flexibilização, pois acho que ela é um serviço importante, porém deve ser colocado em horários que não atrapalhem os ouvintes e as emissoras. Leiam o texto de Daniel Stark.






A Voz do Brasil: prós e contras



Nos últimos dois meses o assunto “obrigatoriedade do programa A Voz do Brasil” tem tomado as páginas do Tudo Rádio e demais veículos que tem o rádio como foco editorial. Muito se discute sobre o real papel da veiculação desse programa produzido e executado pela Radiobras em nossas AMs e FMs brasileiras, além do que significa a imposição de transmissão obrigatória em empresas privadas e voltadas à comunicação teoricamente livre e democrática. Então, qual é o significado de tudo isso e para onde o rádio está caminhando? Quais são os prós e contras dessa pratica na radiodifusão?

Quem defende a transmissão obrigatória em cadeia as 19h00 (horário de Brasília) bate na tecla da “informação”. Vou explicar: vários brasileiros (alias, muitos brasileiros) tem o rádio como principal ou única fonte de informação e entretenimento. Em determinados municípios a informação fica concentrada na mão de quem tem o poder de controlar a concessão de rádio local. A Voz do Brasil vira um mecanismo de comunicação direta entre as ações de quem governa o país até o governado, ou seja, nós. É uma forma de comunicação a mais a serviço da população.

Seria uma espécie de canal direto entre o cidadão e o Governo Federal, independente da relevância do conteúdo veiculado pelo programa. Se os parlamentares passaram o dia todo empinando pipas, o ouvinte vai saber a execução dessa “importante” atividade através da Voz do Brasil. Se for aprovada uma lei de grande interesse à população, saberemos o ponto de vista do Governo Federal através do programa da Radiobrás. É basicamente um “grande clipping institucional do governo”. Basicamente isso.

Independente do partido que esteja governando, essa ferramenta sempre foi utilizada pelos governos brasileiros desde a criação do programa, lá na Era Vargas (faz tempo, hein?). Ao longo desses mais de 70 anos de Voz do Brasil, o programa apresentou várias mudanças em sua estrutura, porém o propósito final permaneceu o mesmo. O governo tem um canal esmagador para propagar suas ações, utilizando-se de concessões destinadas legalmente a empresas privadas, além das estações que já fazem parte do plantel federal.

Se você leu tudo isso, quero que esqueça o assunto “partidos”, “governos” e “situações”. A discussão aqui é única: obrigatoriedade. Concordo com o papel de levar algum tipo de informação a todo território brasileiro, como uma forma de integração nacional (necessária em um país de grandes dimensões como o Brasil), fazendo valer da mídia mais poderosa e menos valorizada: o rádio. Não concordo com a extinção da Voz do Brasil, porém o “projeto” precisa urgentemente de ajustes.

Não estou falando de trocar conteúdo, vinhetas, locutores, etc. Longe disso. Não é o ponto central da discussão. É inadmissível que empresas privadas que possuem o direto legal de operar através de concessões de rádio sejam obrigadas a executar um programa político/federal ao mesmo tempo. O ouvinte e o mercado não possuem saídas, estão acuados. Na minha visão pessoal é a mesma coisa que a sua operadora de celular (que também opera no formato de concessão) seja obrigada a enviar mensagens de texto (SMS) com ações sobre o governo. Que situação, hein?

Também não sou favorável a flexibilização do horário obrigatório de transmissão. Rádio comercial não precisa transmitir a Voz do Brasil, muito menos de madrugada. Essa flexibilização é a banalização do programa da Radiobrás. Porém esses novos projetos de lei sobre a Voz do Brasil possuem instrumentos interessantes para uma nova fase da radiodifusão. A idéia de tornar obrigatória a transmissão das 19h00 da Voz do Brasil apenas em concessões educativas, comunitárias e também estatais é algo muito inteligente.

Com a Voz do Brasil nas educativas, comunitárias e estatais mantém-se a idéia de propagar informações e unificar território, além de manter um canal aberto entre o Governo e os cidadãos. Livrando as rádios comerciais da obrigatoriedade é possível dar diversidade ao conteúdo veiculado, além de não afugentar a audiência. Vamos a alguns exemplos.

Gosto muito de citar a SulAmérica Trânsito de São Paulo. O motorista paulistano que tem a rádio como principal fonte de informação contra o caos urbano é tratado como um trouxa quando o relógio marca 19h00. A SulAmérica Trânsito está obrigada a transmitir a Voz do Brasil nessa faixa de horário, interrompendo a prestação de serviço factual. É quase um “se vira motorista, agora você se f...”. E as rádios de entretenimento que não possuem grades jornalísticas? Diversidade de conteúdo! É necessária a opção que fuja do jornalismo, afinal entretenimento também é uma forma de prestar serviços.

Tem gente que ouve a Voz do Brasil? É claro. Por isso é importante a idéia de mantê-la no local certo. Porém boa parte da audiência desliga o rádio e isso é algo extremamente negativo. Além da ação “desligar o rádio”, as emissoras concorrem com os agradáveis mp3 player, internet móvel, entre outras ferramentas que se sobressaem as 19h00. Até o “quase-antigo” CD ganha de goleada do rádio nessa novela Voz do Brasil.

Do jeito que está a Voz do Brasil é encarada como vilão do mercado de rádio, intruso pelos ouvintes e auxilia diretamente no enfraquecimento da mídia rádio perante outros meios e serviços. Vamos torcer para um capitulo mais favorável ao rádio nessa longa novela Voz do Brasil.
Tudo Radio